02 de outubro de 2026
BEM-ESTAR ANIMAL

Uma nova chance: adoção transforma a vida de animais abandonados

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 5 min
Magnific
Animais acolhidos pelo Bem-Estar Animal passam por recuperação física e emocional antes de terem a oportunidade de encontrar um novo lar.

Ter um cachorro ou gato em casa vai muito além de ter um animal de estimação. A convivência exige responsabilidade, cuidado e compromisso por parte dos tutores. Para animais que foram abandonados, machucados ou encontrados em situação de vulnerabilidade, encontrar uma nova família pode significar uma mudança completa de vida.

Em Piracicaba, o trabalho de acolhimento é realizado pela Divisão de Proteção e Bem-Estar Animal, estrutura que também é conhecida como Canil Municipal. Segundo Paola Simonaggio, membro do Bem-Estar, o atendimento aos animais abandonados começa a partir da identificação da ocorrência e do acionamento do serviço 156.

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Chamado pelo 156 inicia atendimento

Quando um morador encontra um animal abandonado, machucado, atropelado ou debilitado, pode registrar a situação por meio do 156. O serviço pode ser acessado por telefone ou pelo portal da Prefeitura de Piracicaba.

De acordo com Paola, o cidadão precisa informar as condições em que encontrou o animal para que a equipe consiga avaliar a situação e definir o atendimento.

“O cidadão tem que fazer o protocolo. O animal está machucado, atropelado, doente, através do protocolo a equipe se desloca e vai até o animal”, explica.

No portal da Prefeitura, o acesso ao serviço pode ser feito pela área destinada ao 156. O solicitante descreve o que está acontecendo, informa as condições do animal e registra a ocorrência.

“Escreve o que está acontecendo com o animal, se está abandonado, machucado, debilitado, e vão chegando os protocolos. A equipe vai avaliando as urgências e vai atrás do animal”, afirma Paola.

Animais chegam em situação de vulnerabilidade

O acolhimento não termina no momento em que o animal é retirado da rua. Segundo Paola, muitos chegam ao Canil Municipal em condições delicadas e precisam passar por um processo de recuperação.

A representante do Bem-Estar Animal destaca que esse processo não envolve apenas a parte física. Para ela, os animais também precisam ser recuperados emocionalmente após as situações pelas quais passaram.

“Eu sempre costumo falar que são recuperados física e emocionalmente. Eles chegam destruídos”, relata.

A realidade reforça a importância de a população comunicar situações de abandono e vulnerabilidade. Quanto mais informações forem registradas no protocolo, maior é a possibilidade de a equipe avaliar as condições do animal e verificar a necessidade de atendimento.

Adoção representa uma nova oportunidade

Depois do acolhimento, a busca por um novo lar passa a ser uma etapa importante para esses animais. A adoção, porém, precisa ser feita de maneira responsável, levando em consideração não apenas a vontade de ter um pet, mas também as características e necessidades daquele animal.

Quem pretende adotar precisa estar preparado para assumir o compromisso com o animal e avaliar se o ambiente da casa é adequado para ele. A decisão também deve considerar a existência de outros animais no local, já que nem todos os cães apresentam o mesmo comportamento em situações de convivência.

Pit bulls estão entre os casos mais difíceis de adoção

Um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo Bem-Estar Animal está relacionado à adoção de pit bulls. Segundo Paola, a unidade possui aproximadamente 20 animais da raça, número que pode chegar a cerca de 25.

Além da quantidade de animais, existem características que tornam a escolha de um novo lar mais específica.

“Eles são muito dóceis, porém não se dão bem com outros animais”, explica Paola.

Por esse motivo, segundo ela, é necessário observar o perfil da família interessada e a presença de outros cães na residência.

“A pessoa que vai adotar não pode ter outro cão, por exemplo. Não dá certo”, afirma.

Preconceito também dificulta encontrar novos lares

Outro fator apontado por Paola é o preconceito que ainda existe em relação aos pit bulls. A percepção negativa sobre a raça pode fazer com que menos pessoas procurem esses animais para adoção.

“As pessoas têm um preconceito de pit bull. Então tudo isso torna a adoção muito mais difícil”, afirma.

Para a responsável, a combinação entre a necessidade de um ambiente adequado e o preconceito enfrentado pela raça acaba aumentando o tempo de espera desses animais por uma família.

Abandono exige responsabilidade de toda a sociedade

A situação dos animais abandonados também chama atenção para a responsabilidade de quem decide ter um pet. A adoção não deve ser tratada como uma decisão momentânea, já que envolve a inclusão de um animal na rotina da família.

Quando um animal é abandonado, ele pode acabar exposto a diferentes situações de vulnerabilidade. Por isso, antes de adotar, é importante que a pessoa avalie se realmente possui condições de assumir a responsabilidade pelo animal.

A população também pode contribuir comunicando casos em que cães ou gatos estejam abandonados, machucados ou debilitados. Em Piracicaba, o registro pode ser feito pelo serviço 156, permitindo que a situação seja encaminhada para avaliação da equipe responsável.

Cuidado começa antes de levar o animal para casa

A adoção responsável começa antes mesmo de o animal chegar à nova casa. Conhecer o perfil do pet e avaliar as condições do ambiente são atitudes importantes para evitar que uma adoção não dê certo.

No caso dos animais acolhidos pelo Bem-Estar Animal, essa atenção pode ser ainda mais importante, principalmente quando existem características específicas de convivência, como ocorre com parte dos pit bulls.

Mais do que oferecer um novo endereço, a adoção representa a possibilidade de proporcionar uma nova etapa na vida de um animal que já passou pelo abandono. Para aqueles que chegam ao serviço em condições físicas e emocionais delicadas, encontrar uma família preparada pode significar uma nova chance.