As chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos que atuam sobre o sistema do hormônio GLP-1, passaram a ocupar espaço nas discussões sobre o tratamento da obesidade também entre crianças e adolescentes. O uso, porém, não deve ser confundido com uma estratégia estética para perda de peso e depende de avaliação médica, idade, condição clínica e indicação específica de cada medicamento.
A classe inclui medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esses medicamentos podem atuar sobre mecanismos relacionados à fome e à saciedade e, dependendo do produto, são administrados por meio de injeções diárias ou semanais.
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Uso em adolescentes
A Academia Americana de Pediatria recomenda que adolescentes a partir de 12 anos com obesidade possam receber tratamento farmacológico para controle do peso quando houver indicação, sempre como complemento a intervenções de comportamento e estilo de vida. A recomendação considera os riscos, benefícios e as indicações específicas de cada medicamento.
A semaglutida, por exemplo, foi estudada em adolescentes de 12 a 17 anos com obesidade. Um estudo clínico de 68 semanas avaliou o uso semanal do medicamento associado a mudanças na alimentação e à prática de atividade física.
Isso não significa, porém, que qualquer criança ou adolescente com sobrepeso deva utilizar uma dessas medicações. A indicação depende de critérios médicos e deve levar em consideração o quadro individual do paciente.
E as crianças menores?
Para crianças mais novas, a questão é ainda mais específica. A diretriz da Academia Americana de Pediatria aponta que há evidências insuficientes para estabelecer uma recomendação geral de medicamentos exclusivamente para obesidade em crianças com menos de 12 anos. Em situações específicas, medicamentos podem ser considerados de acordo com suas indicações, riscos e benefícios.
Por isso, especialistas destacam a necessidade de acompanhamento individualizado, principalmente porque crianças estão em fase de crescimento e desenvolvimento.
Não é medicamento para uso por conta própria
Outro ponto de atenção é a compra de produtos pela internet ou de origem desconhecida. Em 2026, a Anvisa determinou a proibição de diferentes produtos comercializados como canetas de GLP-1 sem registro sanitário no Brasil. A agência alerta que produtos sem procedência não oferecem garantia sobre composição, qualidade, segurança ou eficácia.
A Anvisa também emitiu alerta sobre o uso inadequado dos medicamentos da classe. Entre os possíveis eventos adversos está a pancreatite aguda, e o risco pode aumentar quando os produtos são utilizados fora das indicações aprovadas.
Tratamento vai além da medicação
Para crianças e adolescentes com obesidade, o tratamento não se resume à perda de peso. A avaliação deve considerar crescimento, desenvolvimento, alimentação, atividade física, histórico familiar e possíveis doenças associadas.
Quando o medicamento é indicado, ele deve fazer parte de um acompanhamento mais amplo. A própria diretriz pediátrica recomenda que a farmacoterapia não seja utilizada como tratamento isolado, mas em conjunto com intervenções comportamentais e de estilo de vida.
Assim, embora as canetas de GLP-1 possam representar uma opção terapêutica para determinados pacientes, o uso em crianças e adolescentes exige indicação médica e acompanhamento contínuo, e não deve ser tratado como uma solução rápida para emagrecimento.