O El Niño de 2026 deve ganhar ainda mais força nas próximas semanas e chegar ao período de maior intensidade entre novembro e dezembro. O fenômeno já apresenta aquecimento expressivo no Pacífico Equatorial, e as previsões mais recentes apontam 95% de probabilidade de uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro, segundo o Painel El Niño, elaborado por órgãos como INMET, INPE, ANA e Cemaden.
A previsão também chama atenção pelo possível tamanho do episódio. A NOAA estima mais de 90% de chance de um El Niño muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027 e calcula 75% de probabilidade de que o trimestre outubro-novembro-dezembro apresente um evento histórico, acima da intensidade dos episódios registrados desde 1950. Isso não significa, porém, que um novo recorde já esteja confirmado.
Os dados do International Research Institute for Climate and Society, da Universidade Columbia, reforçam a tendência de intensificação. O índice Niño 3.4, usado para acompanhar a temperatura do Pacífico, chegou a 3°C acima da média em meados de setembro, enquanto 22 modelos analisados pelo instituto apontam manutenção de condições muito fortes durante o fim de 2026 e o início de 2027.
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Para o Brasil, a previsão para outubro, novembro e dezembro indica um cenário desigual. O Sul aparece com maior probabilidade de receber chuvas acima da média, enquanto áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tendem a apresentar volumes inferiores ao normal. O Sudeste também terá condições variadas, com possibilidade de chuva acima da média em parte da região.
As temperaturas, por sua vez, devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional. No centro-norte, a combinação de calor e menor quantidade de chuva pode favorecer a continuidade ou o agravamento da seca e aumentar o risco de fogo. No Sul, a maior frequência de chuva mantém a atenção voltada para a possibilidade de cheias e outros eventos associados ao excesso de precipitação.
A força final do fenômeno ainda será determinada pela evolução das temperaturas do oceano e pela interação entre atmosfera e Pacífico nos próximos meses. Estudos e projeções já indicam que o episódio pode ficar entre os mais intensos do registro histórico, inclusive com estimativas que consideram períodos superiores a 150 anos, mas essa avaliação só poderá ser confirmada depois que o fenômeno atingir seu auge. O El Niño também deve persistir pelo menos até o início de 2027, mantendo seus possíveis efeitos sobre o clima brasileiro durante os primeiros meses do próximo ano.