29 de setembro de 2026
SAÚDE E BOLSO

Canetas emagrecedoras no SUS podem ter desconto de até 90%

Por Alyson Rodrigues |
| Tempo de leitura: 2 min
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O acesso às chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode se tornar uma nova etapa no tratamento da obesidade no Brasil.

O acesso às chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode se tornar uma nova etapa no tratamento da obesidade no Brasil. O Ministério da Saúde estima que a compra desses medicamentos em larga escala, combinada à produção nacional, possa reduzir os custos de aquisição entre 80% e 90%. A projeção inicial prevê um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para viabilizar a oferta gratuita à população.

Segundo o governo federal, os preços desses medicamentos já recuaram cerca de 70% nas farmácias em menos de um ano. A redução é atribuída à ampliação da concorrência, à entrada de novos produtos no mercado e às medidas para estimular a fabricação no país.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que iniciativas adotadas desde 2025 ajudaram a ampliar a oferta. Entre elas estão ações relacionadas à patente, o incentivo à produção nacional e o estímulo para que fabricantes registrem novos medicamentos no Brasil.

A eventual distribuição pelo SUS, no entanto, ainda depende da avaliação técnica necessária para decidir sobre a incorporação dos tratamentos à rede pública.

Novos produtos ampliam a concorrência

A quantidade de opções disponíveis no mercado aumentou após uma iniciativa do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estimular a entrada de fabricantes. De acordo com os dados apresentados pelo governo, 16 novos produtos foram registrados em 2026, entre genéricos e similares. Pelo menos quatro são fabricados no Brasil.

A ampliação da oferta também foi acompanhada pelo crescimento do número de usuários. Segundo dados da Anvisa citados pelo Ministério da Saúde, a quantidade de pessoas que utilizam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.

Para o governo, o aumento da concorrência e a possibilidade de comprar medicamentos em grandes quantidades podem favorecer uma redução adicional dos preços. A expectativa é que o poder de negociação do SUS, aliado à produção nacional, permita adquirir os produtos por valores inferiores aos praticados no varejo.

A estimativa de desconto entre 80% e 90%, contudo, corresponde a uma projeção do Ministério da Saúde para as compras públicas, e não a uma redução já garantida para todos os medicamentos ou pacientes.


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Incorporação ao SUS ainda será avaliada

O Ministério da Saúde apresentou um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalie os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.

A comissão é responsável por analisar evidências científicas, benefícios clínicos, custos e outros critérios relacionados à possível inclusão de medicamentos e tecnologias na rede pública. A apresentação do pedido não significa que os produtos já estejam disponíveis gratuitamente no SUS.

De acordo com a estimativa ministerial, o orçamento necessário para viabilizar a iniciativa seria de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. O valor considera a perspectiva de ampliar o acesso aos tratamentos em escala nacional, mas a implementação depende das etapas de avaliação e das decisões sobre a incorporação.

O Ministério da Saúde argumenta que o tratamento da obesidade pode trazer benefícios que vão além da perda de peso, especialmente quando associado a acompanhamento médico, alimentação adequada e prática regular de atividades físicas.

Entre os possíveis impactos estão a prevenção de complicações associadas à obesidade e a redução da necessidade de determinados procedimentos e internações. Esses resultados, porém, dependem das condições clínicas dos pacientes, da indicação correta dos medicamentos e da continuidade do acompanhamento de saúde.

OMS defende tratamento integrado da obesidade

A iniciativa também está relacionada às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre medicamentos que atuam no sistema hormonal do GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade.

A entidade considera essas terapias dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado, que deve incluir alimentação saudável, atividade física e outras ações de saúde pública. A OMS também destaca a importância de ampliar o acesso aos tratamentos e reduzir as desigualdades na disponibilidade dos medicamentos.

O uso dessas substâncias não substitui os demais cuidados necessários para tratar a obesidade. A indicação depende de avaliação profissional, levando em conta o histórico de saúde, os riscos, os benefícios esperados e as características de cada paciente.

Governo amplia ações de atividade física e prevenção

Além da possibilidade de incorporar medicamentos, o Ministério da Saúde afirma que está ampliando iniciativas voltadas à prevenção de doenças e à promoção de hábitos saudáveis.

Uma das medidas envolve a Academia da Saúde, programa integrado à Atenção Primária que oferece atividades físicas e ações de promoção da saúde nos municípios. A política prevê a presença de profissionais e atividades voltadas às necessidades das comunidades atendidas.

Segundo o Ministério da Saúde, uma nova portaria publicada no fim de 2025 estabeleceu investimentos para ampliar o programa, incluindo recursos para equipamentos e contratação de profissionais como nutricionistas, educadores físicos e fisioterapeutas.

O número de atividades registradas pela iniciativa passou de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil, em 2025, crescimento de 48,5%. A expansão também prevê 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios brasileiros, com investimentos anunciados de R$ 80,7 milhões.

A proposta é integrar o acesso a medicamentos, quando indicados, a outras estratégias de cuidado, prevenção e acompanhamento contínuo. Até que a avaliação sobre a incorporação seja concluída, não há garantia de que as canetas emagrecedoras estarão disponíveis gratuitamente para a população pelo SUS.