A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações relacionadas a uma doença rara que pode provocar perda de visão em pessoas que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, medicamentos usados principalmente no tratamento do diabetes e da obesidade.
A condição analisada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA), que ocorre quando há redução do fornecimento de sangue para uma região do nervo óptico. O problema pode provocar uma perda repentina da visão e, dependendo da extensão do dano, a alteração pode ser permanente.
A investigação, porém, não significa que os medicamentos tenham causado os casos registrados. Notificações de eventos adversos servem para que os órgãos de saúde acompanhem possíveis sinais de segurança e avaliem se existe uma relação entre determinado tratamento e um problema de saúde. A Anvisa considera necessários outros dados para estabelecer uma eventual relação de causa e efeito.
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Entre os medicamentos citados estão três produtos à base de semaglutida — Ozempic, Wegovy e Rybelsus — e o Mounjaro, que utiliza a tirzepatida como princípio ativo. A semaglutida já possui um alerta específico relacionado à NOIA: em 2025, a Anvisa determinou a inclusão da doença como reação adversa muito rara nas bulas dos medicamentos que contêm essa substância, após uma avaliação de segurança realizada na Europa.
A Agência Europeia de Medicamentos classificou a NOIA como uma reação muito rara associada à semaglutida. Estudos científicos também investigaram a possível relação entre a substância e a doença, mas pesquisas observacionais não são suficientes, isoladamente, para comprovar que o medicamento seja responsável pelo surgimento do problema.
Para quem utiliza esses medicamentos, o principal sinal de atenção é uma perda repentina da visão ou uma piora rápida da capacidade visual. A orientação da Anvisa é procurar atendimento médico imediatamente diante desse tipo de alteração. Caso a NOIA seja confirmada em uma pessoa que utiliza semaglutida, a agência orienta a interrupção do tratamento com o medicamento.