A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma investigação para apurar uma possível relação entre medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma condição rara que pode provocar perda súbita da visão.
Entre os medicamentos citados nas notificações estão algumas das principais chamadas canetas emagrecedoras utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes.
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Segundo informações divulgadas pela Anvisa, 13 notificações envolvendo pacientes que utilizavam medicamentos da classe estão sendo analisadas pela agência.
Os relatos envolvem o uso de Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, medicamentos produzidos por diferentes fabricantes.
A investigação ainda não estabelece uma relação de causa e efeito entre os remédios e os problemas de visão. A própria Anvisa ressalta que a presença simultânea do medicamento e da doença em uma notificação não significa, necessariamente, que o tratamento tenha provocado a condição.
A Noia ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, estrutura responsável por transmitir ao cérebro as informações captadas pelos olhos.
A alteração pode provocar uma perda repentina da visão e, dependendo da extensão da lesão, o comprometimento visual pode ser temporário ou permanente.
Por se tratar de uma condição rara, a investigação busca avaliar os relatos e verificar se existe algum padrão que possa indicar uma possível associação com os medicamentos.
A Novo Nordisk, responsável pela fabricação de medicamentos à base de semaglutida, informou que os ensaios clínicos realizados com seus produtos não identificaram aumento na ocorrência de Noia entre os pacientes avaliados.
A empresa também afirma acompanhar continuamente os dados relacionados à segurança dos medicamentos.
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, declarou que monitora as informações de segurança de seus medicamentos, incluindo eventuais relatos relacionados à saúde ocular.
A investigação da Anvisa continua em andamento e, até o momento, não determina que os medicamentos tenham causado os casos notificados.