22 de setembro de 2026
CIÊNCIA

Insegurança pode afetar cognição e saúde mental de jovens; Veja

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Pesquisadores identificaram associação entre menor sensação de segurança e mais sintomas de ansiedade, depressão e problemas de comportamento.

Estar em um lugar considerado seguro pode ter relação com a forma como o cérebro e a saúde mental de pré-adolescentes se desenvolvem. Um estudo publicado na revista Developmental Cognitive Neuroscience encontrou associação entre a percepção de segurança no bairro e indicadores de cognição, saúde mental e estrutura cerebral em quase 12 mil jovens dos Estados Unidos.

A pesquisa acompanhou 11.865 participantes entre os 9 e 10 anos e novamente aos 11 ou 12 anos. Os pesquisadores reuniram respostas sobre a percepção de segurança da vizinhança, informações sobre violência registrada, testes de habilidades cognitivas e exames de ressonância magnética. O objetivo foi observar como esses diferentes fatores se relacionavam ao longo do desenvolvimento.

Entre os participantes que percebiam o bairro como menos seguro, apareceram mais sintomas relacionados à saúde mental e desempenho inferior em avaliações cognitivas. A maior percepção de segurança, por outro lado, esteve associada a melhor desempenho nos testes e a maior volume da amígdala direita, região cerebral envolvida no processamento de emoções e ameaças.

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O que acontece quando o ambiente parece ameaçador?

Os resultados também ajudam a entender por que a maneira como crianças e adolescentes enxergam o ambiente merece atenção. A percepção de insegurança pode estar relacionada a um estado de maior vigilância, o que potencialmente interfere em atividades que dependem de atenção, memória e outras funções cognitivas. O estudo, porém, não permite afirmar que o medo tenha provocado diretamente essas alterações.

Outro ponto importante é que a pesquisa encontrou diferenças entre a percepção de segurança e os registros objetivos de violência. A violência do bairro medida por dados oficiais não apresentou a mesma associação com os resultados de saúde mental e cognição observada para a segurança percebida. Isso não significa que a criminalidade real seja irrelevante, mas indica que a experiência subjetiva do ambiente também pode ter importância no desenvolvimento.

A relação ainda pode funcionar nos dois sentidos. Crianças e adolescentes que já apresentam sintomas emocionais ou determinadas dificuldades cognitivas podem interpretar o próprio bairro como menos seguro. Por isso, os autores destacam que os resultados devem ser entendidos como associações e não como uma explicação única para problemas de saúde mental ou mudanças cerebrais. Para as famílias, o estudo reforça a importância de observar como os jovens estão percebendo o ambiente em que vivem e de manter redes de apoio e diálogo quando sentimentos persistentes de medo ou ameaça aparecem.