O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova técnica cirúrgica capaz de tratar, em uma única intervenção, o glaucoma e a catarata. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17).
O procedimento permite a remoção do cristalino, afetado pela catarata, e a desobstrução do canal de drenagem do olho, contribuindo para o controle da pressão intraocular.
VEJA MAIS :
Procedimento menos invasivo
A nova técnica é indicada para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto. Entre os benefícios apontados pelo Ministério da Saúde estão uma recuperação mais rápida, menor risco de complicações e melhor controle da pressão dentro do olho.
O tratamento poderá ser realizado por meio de uma pequena incisão na córnea, em procedimento chamado goniotomia excisional, ou com o uso de um microcateter ou fio cirúrgico inserido no canal natural de drenagem, técnica conhecida como trabeculotomia transluminal.
Economia para o SUS
Além dos benefícios aos pacientes, a incorporação da nova técnica também deve reduzir os custos do sistema público de saúde. Segundo a Conitec, a goniotomia excisional poderá gerar uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e de R$ 93,2 milhões no quinto ano.
Ao longo de cinco anos, a estimativa é de uma economia acumulada de R$ 276 milhões com a substituição da cirurgia que utiliza iStent pela nova técnica.
Doenças podem comprometer a visão
O glaucoma provoca danos progressivos ao nervo óptico e pode levar à perda da visão quando não é tratado adequadamente. A doença atinge até 3% dos brasileiros com mais de 40 anos, segundo dados citados pela Conitec.
Já a catarata ocorre quando o cristalino perde sua transparência e fica opaco, comprometendo a capacidade visual. A condição é mais frequente entre pessoas idosas.
A nova técnica será incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do glaucoma no SUS.