A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou em agosto de 2026 as recomendações para o manejo do diabetes mellitus tipo 2 (DM2). A nova diretriz orienta que a definição do tratamento considere não apenas a hemoglobina glicada, mas também o peso corporal e o risco de problemas cardiovasculares e renais.
Para adultos com DM2, a SBD recomenda que a avaliação inicial inclua parâmetros como índice de massa corporal (IMC), hemoglobina glicada, função renal e risco cardiorrenal. A análise desses dados ajuda a definir quais estratégias e medicamentos são mais adequados para cada perfil de paciente.
O controle do peso também aparece entre os objetivos do tratamento. Para adultos com DM2 e IMC igual ou superior a 30 kg/m², a diretriz recomenda iniciar um agonista do receptor de GLP-1 ou um coagonista GLP-1/GIP com foco primário na redução do peso, independentemente da HbA1c e do risco cardiorrenal. Para quem tem IMC entre 27 e menos de 30 kg/m², essas opções devem ser consideradas com a mesma finalidade.
Quando há risco cardiorrenal aumentado, a SBD recomenda iniciar um inibidor de SGLT2 para reduzir eventos cardiovasculares e renais, sem condicionar essa decisão ao nível da HbA1c. A metformina continua indicada no início do tratamento para adultos assintomáticos recém-diagnosticados com TFG igual ou superior a 30 mL/min/1,73 m², enquanto medidas como alimentação adequada, atividade física, redução do tempo sentado, sono adequado, abandono do cigarro e controle do estresse permanecem recomendadas.
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A nova diretriz também estabelece uma sequência para os casos em que o controle glicêmico permanece acima da meta. Para adultos assintomáticos que já utilizam dois medicamentos e continuam fora do objetivo após três meses, a terapia tripla deve ser considerada. Se o resultado não for alcançado após mais três meses, a terapia quádrupla pode ser adotada e, persistindo a HbA1c acima da meta, a terapia baseada em insulina deve ser considerada.
A recomendação muda para quem chega ao diagnóstico com sinais e sintomas moderados ou graves de deficiência de insulina, como poliúria, polidipsia e perda de peso. Nessa situação, a SBD recomenda terapia baseada em insulina independentemente do IMC e do risco cardiorrenal. Depois da estabilização do quadro, terapias com dois ou três medicamentos podem ser consideradas em substituição ou associação à insulina.
A atualização também traz recomendações específicas para o planejamento da gravidez em mulheres com diabetes. A SBD recomenda aconselhar mulheres com HbA1c acima de 9% a evitar a gestação até que haja melhora do controle glicêmico. Para quem pretende engravidar, a diretriz considera ideal uma HbA1c de 6%, desde que isso seja alcançado sem episódios de hipoglicemia.