18 de setembro de 2026
CASO MASTER

Quem é a advogada que recebeu R$ 33 milhões do Banco Master

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Youtube
O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024.

A Polícia Federal encontrou documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) que registram R$ 33 milhões pagos pelo Banco Master, em 2024, ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa. As informações foram divulgadas a partir de documentos apreendidos na investigação sobre a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

O nome de Dalide aparece em conversas entre dirigentes do Master com a expressão “canal direto com o STF”. A advogada, que já foi diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes, nega ter atuado para o banco no Supremo Tribunal Federal.

Os documentos não apontam, até o momento, que o pagamento tenha sido feito em troca de influência junto a ministros do STF. A PF também não realizou diligências específicas sobre o contrato de Dalide nem apresentou conclusão sobre a legalidade dos serviços prestados pelo escritório.

Auditoria aponta aumento nos gastos jurídicos

A auditoria analisada pela PF também identificou uma forte elevação nas despesas do Banco Master com escritórios de advocacia. Os gastos passaram de R$ 76 milhões em 2023 para R$ 215 milhões em 2024.

Entre os pagamentos registrados está ainda o repasse de aproximadamente R$ 40 milhões ao escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

A documentação foi localizada no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e a operação que envolveu a instituição e o BRB. Os registros dos gastos fazem parte do material que segue sendo analisado pelos investigadores.

Conversa cita suposto “canal direto com STF”

Em uma das mensagens identificadas pela PF, o diretor financeiro do Master, Ângelo Ribeiro, orienta Alberto Félix, superintendente executivo de Tesouraria, a efetuar um pagamento ao escritório de Dalide Corrêa.

Na conversa, Ribeiro faz referência à advogada como um “canal direto com o STF”, sem detalhar o significado da expressão ou indicar, no trecho divulgado, qual ministro estaria envolvido.

As mensagens localizadas pela PF não citam Gilmar Mendes nem outros ministros do Supremo em relação ao pagamento de R$ 33 milhões. Também não há, nos elementos divulgados, uma conclusão de que a advogada tenha utilizado sua relação profissional anterior com o IDP para intermediar assuntos do Banco Master na Corte.


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Advogada nega atuação no Supremo

Dalide Corrêa contestou a associação entre o pagamento e uma eventual atuação em favor do Banco Master no STF. Segundo sua manifestação, o escritório não trabalhou para o banco perante a Suprema Corte nem procurou ministros para tratar de assuntos relacionados à instituição.

A advogada afirmou que sua atuação esteve relacionada a processos judiciais originalmente movidos por empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram substituídas pelo banco nas respectivas ações.

De acordo com a defesa, esses processos foram conduzidos exclusivamente em primeira e segunda instâncias. A manifestação também sustenta que não houve atuação da advogada no STF em benefício do Master.

Relação com o instituto de Gilmar Mendes

Dalide Corrêa ocupou anteriormente o cargo de diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes.

Ela deixou a direção do instituto em 2017. Segundo informações divulgadas no contexto do caso, as conversas apreendidas pela PF não apresentam menções a Gilmar Mendes relacionadas ao pagamento feito pelo Banco Master.

Até o momento, os documentos encontrados pela Polícia Federal registram os pagamentos e as conversas entre executivos do banco, mas não estabelecem, por si só, que os valores tenham sido destinados à obtenção de influência no STF ou que tenham ocorrido irregularidades nos serviços jurídicos contratados.

As informações continuam sendo analisadas no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.