O El Niño está ganhando força e deve atingir uma intensidade muito forte nos próximos meses, aumentando o contraste climático entre diferentes regiões do Brasil. Segundo monitoramentos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de o fenômeno alcançar essa categoria supera 90%.
VEJA MAIS :
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aumento da temperatura do oceano modifica a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. Em geral, episódios de El Niño estão associados a mais chuva no Sul e em partes do Sudeste, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem registrar condições mais secas. O fenômeno também pode contribuir para temperaturas acima da média e aumentar a ocorrência de eventos extremos.
Sudeste tem cenário diferente entre os estados
No Sudeste, a previsão não é uniforme. Parte de São Paulo apresenta maior probabilidade de registrar chuvas acima da média, enquanto áreas de Minas Gerais e do Espírito Santo aparecem com tendência de precipitações abaixo da média.
A cidade de São Paulo registrou, até 14 de setembro, 253,8 milímetros de chuva, o maior acumulado para o mês desde o início da série histórica, em 1943. O volume superou o recorde anterior, de 243,1 milímetros, registrado em setembro de 1983.
Sul concentra risco de temporais
A Região Sul deve permanecer entre as áreas mais afetadas pelas chuvas. O Rio Grande do Sul apresenta previsão de volumes elevados, com possibilidade de excesso de água no solo e aumento do risco de inundações.
O Paraná também já registrou impactos relacionados às chuvas intensas. Episódios recentes afetaram milhares de pessoas no estado.
Norte e Nordeste podem ter menos chuva
Enquanto o Sul e parte de São Paulo apresentam tendência de chuvas mais frequentes, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas.
Em Roraima, por exemplo, o volume de chuva registrado em julho e agosto ficou abaixo do esperado para o período. A previsão indica a permanência de condições de déficit de chuva em áreas do Norte e Nordeste.
No centro-norte do país, a combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas e déficit hídrico também pode aumentar o risco de incêndios florestais.
Fenômeno pode continuar até 2027
Os órgãos responsáveis pelo monitoramento climático indicam que o El Niño pode permanecer atuando até o início de 2027. A intensidade prevista para os próximos meses é classificada como muito forte, mas os impactos não serão necessariamente iguais em todo o território brasileiro.
O cenário pode resultar em excesso de chuva, temporais e risco de inundações em algumas regiões, enquanto outras áreas podem enfrentar estiagem, temperaturas elevadas e maior risco de incêndios.