A deputada estadual Professora Bebel (PT) propôs uma carta conjunta dos segmentos organizados de Piracicaba, dirigida ao presidente Lula, ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e à diplomacia brasileira, expondo os impactos do tarifaço americano na economia de Piracicaba justamente para evitar prejuízos às empresas, assim como demissões de trabalhadores, enquanto que o BNDES assegurou que as empresas afetadas pelas medidas do presidente dos EUA, Donald Trump, têm garantido linhas de financiamento.
Esse foi o resultado da audiência promovida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, na tarde desta última terça-feira, 15 de setembro, por iniciativa da vereadora Rai de Almeida, em parceria com a deputada Professora Bebel, ambas PT, que reuniu o presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Thaís Fornicola; o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Paulo Afonso de Lima; a gerente do Ministério do Trabalho, Gabriela Mendonça de Albuquerque; o secretário municipal do Trabalho e Renda, José Luiz Ribeiro; e a superintendente de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, Luciana Leães; a gerente da Área de Comércio Exterior do BNDES, Ana Paula Bernardino Paschoini, além de Ricardo Rodrigues Morgado, da Área de Comércio Exterior, e Raphael Passos Dickie, gerente do Departamento das Indústrias de Bens de Capital e Consumo e Comércio e Serviços da Área de Desenvolvimento Produtivo e Inovação do BNDES.
A carta conjunta proposta pela deputada Professora Bebel, envolvendo o empresariado, trabalhadores e o poder público municipal, visa contribuir com os negociadores do governo brasileiro, com dados, para que busquem nas negociações com os Estados Unidos mitigar os impactos do tarifaço americano na economia da cidade. Para isso, a carta buscará identificar de forma precisa os produtos de Piracicaba atingidos pelas medidas, inclusive defender a redução de 25% para 15% da sobretaxa sobre as máquinas enquadradas na Seção 232, a proteção das pequenas e médias empresas que integram as cadeias de fornecedores, a diversificação dos mercados e o acompanhamento permanente dos efeitos sobre exportações e empregos.
VEJA MAIS:
Bebel também defendeu a intensificação das negociações comerciais, a abertura de novos mercados, o apoio do BNDES e da ApexBrasil às empresas e a proteção, principalmente, das pequenas e médias empresas, onde também estão empregos, salários e renda. “Piracicaba tem uma indústria forte e precisa continuar crescendo, produzindo e gerando oportunidades. Esse enfrentamento exige união entre poder público, trabalhadores e setor produtivo, com diálogo, articulação e ações concretas”, disse.
De acordo com Ana Paula Bernardino Paschoini, gerente da Área de Comércio Exterior do BNDES, mais de R$ 35 bilhões já foram disponibilizados na economia brasileira por meio de "medidas rápidas", diretamente pelo banco ou com o apoio da rede de agentes financeiros, sendo que já foram realizadas mais de 300 operações indiretas ativas e mais de 20 operações diretas com grandes empresas de Piracicaba.
Segundo ela, ainda, mais de R$ 18 bilhões deverão ser novamente direcionados às empresas para a manutenção das exportações aos Estados Unidos e busca de novos mercados. De acordo com o gerente do Departamento das Indústrias de Bens de Capital e Consumo, Comércio e Serviços do BNDES, Rafael Passos Dickie, há, ainda, outras possibilidades de financiamento, entre elas o "BNDES Mais Inovação", destinado a pesquisa e desenvolvimento, transformação digital e investimentos pioneiros na indústria, além de linhas para modernização, aquisição de equipamentos e projetos relacionados à indústria verde.
Justamente para detalhar aos empresários de Piracicaba e região essas linhas de financiamento, ficou acertado que o BNDES promoverá um encontro com empresários da cidade, nos próximos dias, inclusive com a participação da ApexBrasil, conforme ficou acertado na audiência que a deputada Professora Bebel articulou com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no último dia sete de agosto, que reuniu o Simespi, a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba.