Encontrar uma oportunidade de trabalho pela internet pode parecer uma chance de mudar de vida, mas criminosos estão usando falsas vagas para chegar a dados pessoais, imagens do rosto e até contas bancárias das vítimas. O golpe ganhou uma nova dimensão com processos seletivos falsos que imitam entrevistas reais e utilizam a busca por emprego como porta de entrada para fraudes.
Um caso investigado recentemente pela Polícia Civil de Pernambuco mostra como a estratégia pode funcionar. Segundo a investigação, candidatos eram atraídos por ofertas de trabalho aparentemente legítimas e chamados para entrevistas presenciais em espaços alugados pelos criminosos. Durante o processo, as vítimas eram orientadas a preencher formulários e fornecer uma selfie.
A justificativa apresentada pelos golpistas era de que a fotografia fazia parte de uma etapa de identificação. Na realidade, segundo a investigação, a imagem poderia ser utilizada em tentativas de acesso a contas bancárias que utilizam reconhecimento facial. O prejuízo investigado ultrapassou R$ 500 mil e uma das vítimas perdeu R$ 120 mil.
A fraude também pode ocorrer totalmente pela internet. O criminoso publica uma vaga em redes sociais, aplicativos de mensagens ou plataformas profissionais e apresenta uma empresa, salário e benefícios capazes de convencer o candidato.
Depois do primeiro contato, começa a coleta de informações. CPF, endereço, data de nascimento, documentos, dados bancários e fotografias podem ser solicitados sob o argumento de cadastro ou contratação.
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O candidato deve desconfiar principalmente quando a empresa pede informações sensíveis antes de uma contratação formal ou exige pagamento para participar de uma seleção. Cobranças para cursos obrigatórios, equipamentos, certificados ou supostas taxas também podem indicar uma tentativa de fraude.
Outra preocupação é a utilização de selfies e vídeos. Uma imagem aparentemente simples pode ter valor para criminosos que tentam utilizá-la em processos de identificação ou para criar conteúdos manipulados.
Antes de enviar documentos, o candidato deve pesquisar a empresa, conferir o site oficial e verificar se a vaga também aparece nos canais legítimos da companhia. O contato recebido por mensagem não deve ser considerado prova de que a oportunidade é verdadeira.
Também é importante pesquisar o nome da empresa e do recrutador em diferentes fontes. Se a oferta apresentar salário muito acima do mercado, contratação imediata e poucas exigências, a oportunidade merece uma análise ainda mais cuidadosa.
O candidato também não deve fornecer senhas, códigos recebidos por SMS ou acesso remoto ao celular ou computador. Nenhuma promessa de emprego justifica a entrega de informações que permitam controlar uma conta bancária.
A procura por trabalho exige atenção tanto quanto uma compra pela internet. O emprego anunciado pode ser verdadeiro, mas o contato utilizado para chegar ao candidato pode pertencer a um criminoso.