Neste 14 de setembro, é celebrado o Dia Internacional da Capivara, uma data que chama a atenção para um dos animais mais emblemáticos da fauna sul-americana.
Em Piracicaba, a homenagem ganha um significado especial: intimamente ligada ao Rio Piracicaba, a capivara se tornou parte da paisagem, da cultura e do imaginário da cidade, sendo reconhecida como um de seus símbolos mais queridos.
Pacífica, sociável e acostumada à vida em grupo, ela também possui uma organização familiar bastante peculiar, com relações de liderança, proteção e convivência que ajudam a explicar o comportamento desses animais tão presentes no cotidiano piracicabano.
Poucos animais chamam tanta atenção quanto uma capivara acompanhada de seus filhotes. O que muita gente não sabe é que os pequenos nascem muito mais desenvolvidos do que os filhotes de diversos outros mamíferos.
A gestação da capivara dura aproximadamente cinco meses. Depois desse período, a fêmea pode dar à luz uma ninhada de dois a oito filhotes, embora o número médio varie conforme a população e as condições ambientais.
O Brasília Ambiental registra média de cinco filhotes e informa que as ninhadas podem variar de dois a oito.
A grande surpresa vem depois do nascimento.
Os filhotes de capivara são considerados precoces. Pouco tempo depois de nascer, já conseguem ficar em pé e caminhar.
Também começam a experimentar vegetação ainda muito jovens e podem pastar cerca de uma semana depois do nascimento.
Isso representa uma vantagem importante para uma espécie que vive em ambientes abertos e próximos à água. Em vez de permanecer completamente dependente de um esconderijo, o filhote consegue acompanhar o grupo.
A organização familiar das capivaras também chama atenção.
Os filhotes podem mamar não apenas na própria mãe, mas também em outras fêmeas do grupo. O comportamento é conhecido como amamentação aloparental.
Isso significa que a proteção e os cuidados com os pequenos não ficam necessariamente restritos à mãe biológica.
Em grupos formados por indivíduos aparentados, essa característica pode aumentar a proteção dos filhotes e reforçar os vínculos sociais.
As capivaras atingem a maturidade sexual relativamente cedo.
De acordo com o Brasília Ambiental, os machos atingem a maturidade entre aproximadamente 15 e 24 meses, enquanto as fêmeas podem alcançá-la entre 10 e 12 meses.
A espécie pode se reproduzir ao longo de todo o ano, embora determinadas condições ambientais favoreçam a atividade reprodutiva.
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Outro comportamento pouco conhecido é que a cópula normalmente acontece dentro da água.
Segundo o Brasília Ambiental, o ato pode durar apenas alguns segundos, enquanto a fêmea pode copular várias vezes durante o período de cio.
A água, portanto, não serve apenas como esconderijo ou local para se refrescar. Ela também participa diretamente do ciclo reprodutivo da espécie.
Apesar da aparência tranquila, os grupos possuem organização social.
Estudos sobre comportamento das capivaras mostram que os machos podem estabelecer hierarquias de dominância. Em uma pesquisa publicada na revista Behavioral Ecology, pesquisadores observaram disputas entre machos adultos e identificaram uma hierarquia social relativamente estável.
O macho dominante tende a ocupar uma posição central no grupo e apresenta maior sucesso reprodutivo.
Isso não significa que capivaras estejam constantemente brigando. A maior parte do tempo é dedicada a alimentação, deslocamento, descanso e interação social.
Mas, quando há disputa por posição, território ou acesso a fêmeas, os machos podem apresentar comportamento agressivo.
O resultado é uma estrutura social muito mais complexa do que a imagem de animais simplesmente reunidos à margem de um rio.
Existem filhotes, mães, outros adultos, relações de dominância e mecanismos de comunicação.
Quando um filhote aparece no meio de um grupo de capivaras, portanto, há muito mais acontecendo do que uma simples reunião de animais.