O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto, mantendo o maior nível da série pelo segundo mês consecutivo. Ao mesmo tempo, a parcela de consumidores com contas em atraso avançou para 29,9%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado mostra que o peso das dívidas segue elevado e que a dificuldade de pagamento ganhou força ao longo do mês.
A situação é mais intensa entre as famílias com renda de até três salários mínimos. Nesse grupo, 85,1% possuem algum tipo de dívida, enquanto a proporção de consumidores com contas atrasadas subiu de 38,5% para 38,8%. Também cresceu o número daqueles que não conseguem enxergar condições para quitar os débitos: o índice chegou a 18,3%, alta de 0,5 ponto percentual.
O comportamento das dívidas também aparece no orçamento mensal. Em agosto, 19,2% das famílias afirmaram comprometer mais da metade da renda com débitos, maior percentual desde março. A parcela média da renda destinada às dívidas, considerando todos os consumidores, ficou estável em 29,5%, enquanto o grupo que se considera muito endividado passou a representar 17,4% das famílias.
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O tempo necessário para colocar as contas em dia também aumentou. O atraso médio chegou a 65 dias, interrompendo uma sequência de três meses de redução. Entre os consumidores inadimplentes, 29,1% estavam com débitos vencidos entre 30 e 90 dias, enquanto 33,4% das famílias possuíam compromissos com prazo superior a um ano.
Nas faixas de renda acima dos três salários mínimos, os indicadores apresentaram comportamento menos pressionado. Entre quem recebe de três a cinco salários mínimos, o endividamento recuou para 83,7% e a inadimplência ficou em 28%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, os índices chegaram a 77,2% e 20,3%, respectivamente, enquanto a parcela sem condições de pagamento ficou em 7,8%.
Para as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento avançou 0,3 ponto percentual, chegando a 72,3%, mas a inadimplência caiu para 14,9%. Para o próximo trimestre, a CNC projeta continuidade da pressão sobre as contas atrasadas, diante do comprometimento da renda e do aumento do tempo médio dos débitos.