03 de setembro de 2026
TRÁFICO HUMANO

MPF denuncia grupo por tráfico e exploração de mulheres; ENTENDA

Por Redação/JP1 |
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Imagem gerada por IA
A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (2/9) e já foi recebida pela Justiça Federal.

Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de envolvimento em uma organização criminosa que teria atuado no tráfico internacional de pessoas e na exploração de mulheres paraguaias no Paraná. A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (2/9) e já foi recebida pela Justiça Federal.

A investigação faz parte da Operação Labareda e aponta que uma casa noturna localizada em União da Vitória (PR) teria sido utilizada pelo grupo para explorar as vítimas. Conforme as acusações, as mulheres eram levadas do Paraguai ao Brasil após receberem propostas de emprego que não correspondiam às condições encontradas no estabelecimento.

Mulheres teriam sido mantidas sob controle por dívidas

De acordo com as informações reunidas durante a investigação, depois de chegarem ao Brasil, as vítimas teriam sido submetidas à exploração sexual e a mecanismos de controle destinados a impedir que deixassem o local.

Entre as estratégias apontadas pelo MPF estavam cobranças, dívidas e multas aplicadas às mulheres por diferentes motivos. Os valores variavam de R$ 500 a R$ 5 mil e seriam registrados em cadernos utilizados pelo grupo para acompanhar as penalidades.

As multas poderiam ser aplicadas, segundo a denúncia, em situações como recusa de atendimento, discussões, desorganização ou tentativa de abandonar o estabelecimento pouco tempo depois de começar a trabalhar.

Para o MPF, o sistema de cobranças contribuía para manter as vítimas em uma situação de dependência e dificultava que elas conseguissem deixar o local.


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Investigação aponta violência contra vítimas e testemunhas

As acusações também envolvem episódios de violência que teriam ocorrido depois que uma das mulheres conseguiu fugir.

Segundo o MPF, integrantes do grupo teriam planejado o sequestro de uma das vítimas como forma de intimidação. Durante o deslocamento, a mulher conseguiu escapar ao se lançar de um veículo em movimento em uma via pública.

Familiares da vítima que estavam no exterior também teriam recebido mensagens com conteúdo intimidatório. A investigação considera que essas ações faziam parte de uma estratégia para pressionar vítimas e testemunhas e dificultar o avanço das apurações.

Incêndio teria sido planejado para matar testemunhas

Outro episódio investigado envolve um incêndio em uma casa noturna onde duas testemunhas estavam dormindo.

Conforme a denúncia, o fogo teria sido provocado de maneira planejada com a intenção de matar as duas pessoas. Ambas, porém, conseguiram deixar o imóvel antes de serem atingidas.

O caso é acompanhado pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC), do Ministério Público Federal.

As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial, no qual os denunciados terão direito à defesa e ao contraditório.