24 de agosto de 2026
CRISE BILIONÁRIA

Braskem pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 54 bi

Por Redação/JP1 |
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Reprodução
A Braskem entrou nesta segunda-feira (24) com um pedido de recuperação extrajudicial para tentar reorganizar uma dívida estimada em R$ 54 bilhões.

A Braskem entrou nesta segunda-feira (24) com um pedido de recuperação extrajudicial para tentar reorganizar uma dívida estimada em R$ 54 bilhões. A medida abre uma nova etapa na crise financeira enfrentada pela maior produtora de resinas termoplásticas do Brasil.

Com o procedimento, a empresa terá 90 dias para avançar nas negociações com os credores e estruturar um plano de reestruturação. A estratégia ocorre depois de a companhia obter uma proteção emergencial que suspendeu temporariamente medidas de cobrança, execuções e bloqueios de bens solicitados por credores financeiros.

Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores. A participação do Judiciário ocorre posteriormente, no processo de homologação do plano que for construído entre as partes.

Como a Braskem chegou à crise

A trajetória recente da Braskem é marcada por uma combinação de dificuldades financeiras, problemas ambientais e mudanças no cenário da indústria petroquímica.

Criada em 2002 a partir da união de empresas ligadas à Organização Odebrecht e ao Grupo Mariani, a companhia se consolidou como uma das principais produtoras de resinas termoplásticas do país. Seus produtos são utilizados como matéria-prima em uma grande variedade de itens plásticos.

Um dos principais movimentos de expansão ocorreu em 2015, quando a Braskem investiu US$ 5,2 bilhões na construção de um complexo industrial no México, em parceria com a empresa mexicana Idesa.

O projeto envolveu uma unidade de produção de eteno e três plantas de polietileno e tinha como objetivo ampliar a presença internacional da companhia.

O cenário, porém, mudou rapidamente.


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Lava Jato agravou situação da controladora

Poucos meses depois da inauguração da operação mexicana, em 2016, a Operação Lava Jato atingiu a Odebrecht, então controladora da Braskem.

A crise financeira da Odebrecht passou a pressionar também a petroquímica. A necessidade de levantar recursos para enfrentar as próprias dívidas levou a controladora a buscar alternativas para vender sua participação na Braskem.

A tentativa de encontrar uma solução para a estrutura acionária da empresa se prolongou por anos, enquanto a petroquímica enfrentava, simultaneamente, novos desafios operacionais e financeiros.

Desastre em Maceió virou outro capítulo da crise

Em 2018, a Braskem passou a enfrentar uma das maiores crises ambientais de sua história, relacionada à exploração de sal-gema em Maceió (AL).

O processo de instabilidade do solo atingiu bairros da capital alagoana, provocando tremores, rachaduras em imóveis, danos às ruas e a retirada de milhares de moradores de áreas consideradas de risco.

A mineração na região foi interrompida em 2019. Mesmo assim, o problema continuou produzindo consequências nos anos seguintes.

Em novembro de 2023, a velocidade de afundamento do solo aumentou de maneira significativa. A situação levou a Prefeitura de Maceió a decretar estado de emergência diante do risco de colapso de uma das minas.

Pouco depois, ocorreu o rompimento da Mina 18, formando uma grande cratera e ampliando a dimensão do desastre.

Indenizações ainda são alvo de críticas

A Braskem continuou assumindo compromissos financeiros relacionados ao desastre de Maceió.

Em novembro de 2025, a empresa fechou um acordo com o governo de Alagoas que prevê o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenizações pelos impactos provocados pelo afundamento do solo.

O valor foi distribuído em parcelas ao longo de dez anos. Também foi previsto um pacote de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em investimentos destinados a projetos de recuperação em 13 municípios da região metropolitana de Maceió.

O acordo, contudo, foi questionado por representantes de pessoas atingidas pelo desastre. Movimentos de vítimas apontaram estimativas do próprio governo estadual que calculavam os prejuízos em mais de R$ 30 bilhões.

Mercado internacional também pressiona a empresa

Além dos problemas relacionados à dívida e ao passivo ambiental, a Braskem enfrenta um cenário desfavorável no mercado petroquímico global.

Segundo a empresa, a combinação de excesso de oferta internacional e queda nos preços dos produtos petroquímicos prejudicou os resultados nos últimos anos.

A entrada de produtos mais baratos provenientes da Ásia, especialmente de polietileno, também aumentou a pressão sobre a companhia no mercado brasileiro.

A situação é especialmente relevante porque a Braskem chegou a responder por cerca de 70% do mercado brasileiro de polietileno, segundo os dados citados no histórico da crise.

Braskem Idesa também entrou em recuperação nos EUA

A situação da operação mexicana acrescentou outro problema à estrutura financeira do grupo.

A Braskem possuía compromissos relacionados a um financiamento contratado pela Braskem Idesa, que poderia gerar consequências caso a subsidiária recorresse ao processo de proteção contra credores nos Estados Unidos.

Foi o que ocorreu em agosto. A joint venture entrou com um processo equivalente à recuperação judicial americana, conhecido como Chapter 11.

A empresa mexicana informou ter chegado a acordos com credores e acionistas para reduzir sua dívida em mais de US$ 920 milhões, aproximadamente R$ 4,78 bilhões. A expectativa apresentada foi concluir o processo em um período de 60 a 90 dias, mantendo as operações normalmente durante a reestruturação.

A Braskem, como acionista majoritária da Braskem Idesa, informou que contribuirá com US$ 476 milhões, cerca de R$ 2,48 bilhões.

Recuperação extrajudicial abre novo prazo para a Braskem

Agora, com a recuperação extrajudicial, a Braskem ganha mais tempo para tentar reorganizar sua estrutura financeira e chegar a um acordo com os credores.

O procedimento será acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante do tamanho da dívida e da sucessão de problemas que atingiram a companhia nos últimos anos.

A empresa terá cerca de 90 dias para negociar a reestruturação antes da apresentação do plano à Justiça. O resultado dessas negociações será decisivo para definir os próximos passos da petroquímica.

A recuperação extrajudicial representa, portanto, mais uma tentativa de evitar uma crise ainda maior e preservar as operações de uma das empresas mais importantes da indústria química e petroquímica brasileira.