A Uber está colocando à prova um novo sistema que pode alterar a forma como motoristas utilizam o aplicativo. O modelo, chamado de “taxa de despacho”, prevê uma cobrança ao condutor sempre que uma chamada de corrida é enviada, mesmo que ele decida não aceitar a viagem.
O teste ocorre atualmente em Malmö, na Suécia, e na Basileia, na Suíça. A proposta estabelece um custo para cada chamada recebida pelo motorista e pode mudar a estratégia de quem costuma permanecer conectado ao aplicativo enquanto escolhe quais corridas deseja realizar.
Na cidade sueca, a cobrança é de 2 coroas suecas por chamada, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,03. Já na Suíça, motoristas da Basileia podem pagar 0,30 franco suíço, cerca de R$ 1,88, quando recebem uma solicitação de viagem.
O principal ponto de controvérsia do novo sistema é que a cobrança ocorre independentemente da aceitação da corrida. Dessa forma, o motorista que estiver conectado ao aplicativo e receber uma chamada poderá ter um custo mesmo que opte por recusá-la.
Até então, permanecer online na plataforma não significava uma cobrança específica por cada corrida rejeitada. O profissional podia analisar as solicitações recebidas e decidir quais viagens gostaria de realizar.
Com o novo modelo, entretanto, o simples recebimento de uma chamada pode gerar uma despesa para o motorista.
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Segundo a lógica apresentada pela empresa, a medida pretende incentivar que permaneçam conectados aqueles motoristas que estejam efetivamente disponíveis para realizar viagens.
A Uber também afirma que o sistema pode contribuir para direcionar chamadas a condutores que estejam mais próximos dos passageiros. A expectativa é diminuir o intervalo entre a solicitação da corrida e a chegada do motorista ao local de embarque.
A companhia ainda testa o formato antes de uma eventual expansão para outros mercados. Portanto, a cobrança não significa que motoristas do Brasil já estejam pagando pela recusa de corridas.
Caso seja adotado em outros países, o sistema poderá modificar a maneira como motoristas administram o período em que ficam conectados à plataforma.
A possibilidade de pagar por chamadas recusadas pode fazer com que profissionais sejam mais seletivos sobre os momentos em que permanecem disponíveis. Ao mesmo tempo, a Uber busca aumentar a quantidade de motoristas realmente preparados para aceitar viagens, evitando que passageiros aguardem por longos períodos.
O teste na Europa coloca em discussão um novo custo para quem trabalha com aplicativos de transporte e pode abrir caminho para mudanças na relação entre motoristas, corridas e plataformas de mobilidade.