A Multi, antiga Multilaser, estima que poderá deixar de receber cerca de R$ 20 milhões do grupo Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16). A varejista declarou à Justiça uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
O valor informado pela empresa de tecnologia se soma aos R$ 11 milhões que já haviam sido provisionados anteriormente. Segundo a Multi, os créditos não possuem cobertura de seguro.
Apesar da exposição financeira, a companhia afirmou que o montante representa uma parcela pequena de sua carteira de recebíveis. A estimativa corresponde a aproximadamente 2,29% do saldo líquido das contas a receber e, de acordo com a empresa, não deve provocar impacto relevante em sua situação patrimonial ou nos resultados.
A Multi fornece produtos eletrônicos e de informática ao grupo, incluindo itens como smartphones e tablets. A companhia informou ainda que acompanha de perto os desdobramentos da recuperação judicial.
A crise financeira das Casas Bahia também atingiu outros grandes fornecedores. A relação de credores inclui instituições financeiras e empresas do setor de tecnologia e eletroeletrônicos.
A Samsung aparece com o maior crédito entre os fornecedores, com R$ 937,6 milhões referentes a mercadorias entregues e ainda não pagas. Na sequência estão:
As empresas estão classificadas como credoras quirografárias, categoria que reúne valores sem garantia real.
Outro fornecedor, a Positivo Tecnologia, comunicou ao mercado na segunda-feira (17) uma exposição de quase R$ 20 milhões às Casas Bahia. No caso da fabricante, o valor está protegido por seguro de crédito contratado com duas seguradoras.
A Positivo afirmou que, diante da cobertura existente, não identificava naquele momento risco material para os resultados previstos para 2026.
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O novo pedido ocorre aproximadamente dois anos depois de as Casas Bahia concluírem uma recuperação extrajudicial. Em abril de 2024, a empresa havia conseguido reestruturar R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras e encerrou o processo três meses depois.
Agora, a recuperação judicial envolve um passivo ainda maior e ocorre em um momento de aumento da inadimplência entre consumidores e empresas. O cenário pode contribuir para uma postura mais restritiva dos bancos na concessão de crédito.
A dívida apresentada no processo está distribuída entre diferentes categorias de credores. A maior delas é formada pelos quirografários, que concentram R$ 16,68 bilhões em créditos sem garantia real.
Também estão incluídas micro e pequenas empresas, com R$ 153,8 milhões em valores a receber. Já os créditos classificados como extraconcursais somam R$ 10,99 bilhões e não integram o montante submetido ao processo de recuperação judicial.