Por muitos anos, quando se falava em doenças relacionadas ao trabalho, a atenção estava principalmente voltada aos problemas físicos e aos acidentes. Com as transformações na rotina profissional, porém, a discussão passou a incluir também questões relacionadas à saúde mental.
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Dificuldade para separar vida pessoal e profissional, excesso de demandas, jornadas desgastantes, pressão constante e conflitos são alguns dos fatores que podem afetar o bem-estar dos trabalhadores.
Com a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), a prevenção passou a considerar também aspectos relacionados à organização e às condições de trabalho.
Nesse cenário, algumas práticas podem contribuir para relações profissionais mais equilibradas. Confira sete delas:
1. Respeitar os momentos de descanso
Pausas, intervalos, férias e períodos de desconexão são importantes para uma rotina profissional saudável. A dificuldade de se afastar das atividades de trabalho mesmo fora do expediente pode ser um sinal de que os limites entre vida profissional e pessoal precisam ser revistos.
2. Estabelecer metas e expectativas claras
Metas fazem parte da rotina de muitas empresas, mas a maneira como são definidas e cobradas pode influenciar diretamente o dia a dia dos trabalhadores.
Objetivos pouco claros, cobranças constantes e expectativas incompatíveis com os recursos disponíveis podem aumentar a sobrecarga e gerar insegurança.
3. Construir relações baseadas no respeito
Um ambiente saudável não significa ausência de cobranças, divergências ou conflitos. A diferença está na maneira como essas situações são conduzidas.
Críticas, correções e cobranças podem fazer parte da relação profissional, mas não devem ser baseadas em humilhações, ameaças ou medo constante. A forma como os erros são tratados e os resultados reconhecidos também interfere no ambiente de trabalho.
4. Estabelecer limites e manter uma comunicação aberta
Informações contraditórias, mudanças sem orientação e dificuldades para esclarecer dúvidas podem aumentar a tensão na rotina.
Por isso, é importante que existam canais adequados para que trabalhadores possam comunicar dificuldades, conflitos e situações que estejam prejudicando o desempenho ou o bem-estar.
5. Observar sinais de sobrecarga
Cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de motivação e alterações no desempenho podem aparecer em períodos de sobrecarga.
Esses sinais, isoladamente, não significam necessariamente a existência de uma doença relacionada ao trabalho. No entanto, podem indicar que a situação precisa ser observada e enfrentada antes de se agravar.
6. Levar os riscos psicossociais a sério
Saúde e segurança no trabalho não envolvem somente riscos físicos. Excesso de demandas, falta de autonomia, jornadas inadequadas, conflitos, assédio e pressão excessiva também podem contribuir para situações de sofrimento e adoecimento.
Considerar esses fatores permite que empresas adotem medidas preventivas e busquem melhorar a organização do trabalho.
7. Valorizar as pessoas sem transformar produtividade na única medida
Reconhecer resultados e esforços pode fortalecer o vínculo dos profissionais com o trabalho. Porém, produtividade não deve ser o único critério utilizado para avaliar uma pessoa.
Uma relação profissional equilibrada também precisa considerar as condições oferecidas para que os resultados sejam alcançados, além dos limites e das necessidades dos trabalhadores.
Prevenção depende da organização do trabalho
A discussão sobre saúde ocupacional vem se ampliando à medida que os fatores psicossociais ganham espaço nas estratégias de prevenção. Mais do que identificar problemas depois que eles aparecem, a proposta é observar como a própria organização do trabalho pode contribuir para reduzir situações de sobrecarga e sofrimento.
Respeito, comunicação, limites, planejamento e atenção aos sinais de sobrecarga são medidas que podem ajudar a construir relações profissionais mais saudáveis, tanto para os trabalhadores quanto para as organizações.