07 de agosto de 2026
SAÚDE

Aos 72 anos, aposentado vence o cigarro após 60 anos de vício

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Sergio Ali participa do grupo antitabagismo da USF Chapadão II e celebra uma nova fase de vida após abandonar o cigarro depois de mais de seis décadas de consumo.

Depois de mais de 60 anos convivendo com a dependência do cigarro, o aposentado Sergio Ali, de 72 anos, vive uma nova fase. Fumante desde os 9 anos de idade e acostumado a consumir até três maços de cigarro por dia, ele encontrou no grupo de combate ao tabagismo da Unidade de Saúde da Família (USF) Chapadão II o apoio necessário para abandonar o vício.

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A transformação foi ainda maior: junto com o cigarro, Sergio também deixou o consumo de álcool. “Fumava três maços de cigarro e tomava um litro de pinga por dia”, relembra o aposentado.

Hoje, ele é considerado o mascote do grupo antitabagismo e serve de exemplo para os demais participantes que buscam uma mudança de vida.

A jornada começou em março, quando a agente comunitária de saúde Claudineia Silva conversou com Maria de Lourdes Diehl, esposa de Sergio, sobre a possibilidade de ele participar das atividades oferecidas pela unidade.

Lourdes conta que não acreditava que o marido aceitaria o convite. “No dia da primeira reunião não consegui acompanhá-lo. Ele foi sozinho, voltou animado e continuou participando. Foi ali que decidiu parar de fumar”, relata.

Desde então, Sergio percebeu diversas melhorias na saúde e na rotina. O paladar ficou mais apurado, o sono melhorou e até a convivência com outras pessoas mudou. “Percebia que muitas vezes as pessoas evitavam ficar perto de mim por causa do cheiro do cigarro. Hoje isso mudou”, afirma.

Apesar da vitória, ele destaca que abandonar o cigarro é um processo diário. “Dou um passo por dia”, resume.

Resultados positivos

O desempenho do grupo surpreendeu a própria equipe da unidade. Dos oito participantes que iniciaram o acompanhamento, sete conseguiram parar de fumar. O único integrante que ainda não deixou o cigarro já demonstrou interesse em participar da próxima turma.

Para a agente comunitária Claudineia Silva, acompanhar a evolução de Sergio foi uma experiência marcante. “A participação do Sergio e os resultados que ele alcançou representam quase um milagre. Ver alguém que fumou por mais de 60 anos conseguir abandonar o cigarro mostra que, com acolhimento, acompanhamento e força de vontade, é possível mudar de vida”, destaca.

Além do suporte da equipe multiprofissional, Sergio ressalta a importância do apoio coletivo entre os participantes. A troca de experiências e o incentivo mútuo ajudam no enfrentamento da dependência e fortalecem o processo de recuperação.

Tabagismo também afeta a saúde bucal

Durante um dos encontros do grupo, o cirurgião-dentista Jonathas Bernardelli orientou os participantes sobre os impactos do tabagismo na saúde bucal.

Segundo o profissional, a nicotina reduz a produção de saliva, favorecendo problemas como cáries e mau hálito. O cigarro também pode mascarar doenças como gengivite e periodontite, dificultar a cicatrização e prejudicar tratamentos odontológicos.

“Quando a pessoa para de fumar, toda a cavidade bucal também começa a responder de forma mais saudável aos tratamentos”, explicou o dentista.

Programa oferece apoio para quem deseja parar de fumar

A Secretaria Municipal de Saúde mantém o Programa de Controle do Tabagismo, com ações de prevenção, tratamento e conscientização voltadas às pessoas que desejam abandonar a dependência da nicotina.

As Unidades Básicas de Saúde oferecem acolhimento, orientação profissional, grupos de apoio, acompanhamento multiprofissional e acesso aos tratamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As ações do programa são organizadas em três principais frentes: promoção de ambientes livres do tabaco; assistência e tratamento na Atenção Primária, com acompanhamento profissional e medicamentos quando indicados; e prevenção ao uso de novas formas de consumo de nicotina, como cigarros eletrônicos, vapes e pods.

Apesar de muitas vezes serem divulgados como alternativas menos prejudiciais, os dispositivos eletrônicos para fumar não são inofensivos. Eles podem conter altas concentrações de nicotina e substâncias químicas capazes de causar danos aos sistemas respiratório e cardiovascular. O uso também está relacionado à EVALI, uma lesão pulmonar associada a esses dispositivos, que pode provocar falta de ar, tosse, dor no peito e, em casos graves, necessidade de internação.

No Brasil, a comercialização, importação e propaganda desses produtos continuam proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo assim, o consumo tem aumentado, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.

Quem deseja parar de fumar pode procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Com acompanhamento profissional, apoio e tratamento adequado, abandonar a nicotina é uma conquista possível.