28 de julho de 2026
ATENÇÃO!

Queda de cabelo preocupa usuários de canetas emagrecedoras

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento trouxe um novo alerta entre pacientes e especialistas: a queda intensa de cabelo.

O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, trouxe um novo alerta entre pacientes e especialistas: a queda intensa de cabelo. Embora o problema tenha sido associado ao tratamento, pesquisas indicam que, na maioria dos casos, o principal responsável não é o medicamento em si, mas a rápida perda de peso provocada pelo processo de emagrecimento.

Um estudo realizado pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, analisou dados de aproximadamente 550 mil pessoas acompanhadas entre 2014 e 2024 e identificou maior incidência de queda capilar entre usuários de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. A conclusão dos pesquisadores é que o fenômeno está mais relacionado às alterações metabólicas, à restrição calórica e ao emagrecimento acelerado do que a um efeito direto dos remédios sobre os fios.

Pesquisa identificou dois tipos de queda

A análise apontou dois quadros mais frequentes entre os pacientes:

Segundo os pesquisadores, a maioria dos pacientes apresenta o primeiro quadro, que tende a melhorar após a estabilização do peso corporal.


VEJA MAIS:



Emagrecimento acelerado é o principal gatilho

Especialistas explicam que, diante de uma redução brusca na ingestão de calorias, o organismo prioriza o funcionamento de órgãos essenciais, como cérebro, coração, rins e pulmões. Como consequência, processos considerados menos importantes para a sobrevivência imediata, como o crescimento dos cabelos, acabam temporariamente interrompidos.

Quanto mais rápida for a perda de peso, maior tende a ser o impacto sobre o ciclo capilar. Em muitos casos, a queda ocorre mesmo quando exames laboratoriais mostram níveis adequados de vitaminas e minerais, reforçando a hipótese de que o estresse metabólico seja o principal fator envolvido.

Como reduzir o risco de queda

Embora nem todos os casos possam ser evitados, médicos afirmam que algumas medidas ajudam a diminuir as chances de perda intensa dos fios durante o tratamento:

Os pesquisadores também destacam que pessoas com deficiência de ferro, baixa ingestão de proteínas, alterações na tireoide ou outras carências nutricionais apresentam maior risco de desenvolver queda de cabelo durante o uso das canetas emagrecedoras.

Minoxidil nem sempre é indicado

Apesar de ser conhecido como tratamento para queda capilar, o Minoxidil não costuma interromper o eflúvio telógeno. Segundo especialistas, o medicamento pode, inclusive, provocar um aumento temporário da queda nas primeiras semanas de uso.

Sua indicação costuma ocorrer apenas em situações específicas, como quando existe alopecia androgenética associada ou quando a perda de cabelo persiste além do período esperado.

É preciso interromper o tratamento?

Na maior parte dos casos, não. Os pesquisadores afirmam que suspender medicamentos como Mounjaro ou Ozempic nem sempre interrompe a queda, já que o processo costuma ser consequência do estresse provocado pelo emagrecimento acelerado.

A orientação é que qualquer decisão sobre interromper ou modificar o tratamento seja tomada exclusivamente com acompanhamento médico, levando em consideração os benefícios do controle da obesidade, do diabetes e da saúde cardiovascular.

Quando procurar um especialista

Especialistas recomendam avaliação médica quando a queda permanece por mais de três a seis meses, quando há falhas visíveis no couro cabeludo ou sinais de outras doenças capilares.

O estudo também reforça que pacientes devem ser informados previamente sobre esse possível efeito colateral e acompanhados durante todo o tratamento, especialmente diante do crescimento do uso das canetas emagrecedoras no Brasil.