10 de julho de 2026
CLIMA DE TENSÃO

Governo acusa Flávio de agir por interesse eleitoral nos EUA

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Ricardo Stuckert / PR
Mais cedo, a equipe do senador informou que ele defendeu, durante a audiência, que os Estados Unidos deixassem de aplicar as tarifas aos produtos brasileiros.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o discurso contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua participação em uma audiência pública nos Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta terça-feira (7), o Palácio do Planalto afirmou que o parlamentar atuou com objetivo "eleitoreiro" e classificou sua postura como uma ação contrária aos interesses nacionais.

Segundo o Executivo, entre os brasileiros inscritos para participar da audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Flávio Bolsonaro teria sido o único a não defender o fim das tarifas contra o Brasil.

Governo reage à participação de Flávio

Na manifestação oficial, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que o senador optou por defender apenas o adiamento das tarifas, e não o cancelamento das medidas, o que, segundo o governo, buscaria favorecer interesses políticos.

O Planalto também declarou que, enquanto Flávio participava da audiência, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Justiça, do Itamaraty e do próprio Palácio do Planalto mantinham negociações técnicas com autoridades americanas para tentar reduzir os impactos das sobretaxas sobre produtos brasileiros.

Em outro trecho da nota, o governo destacou que "divergir do governo é legítimo", mas afirmou que buscar apoio de uma potência estrangeira para pressionar o Brasil representa uma postura incompatível com os interesses do país.


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Flávio diz que pediu o fim das tarifas

Mais cedo, a equipe do senador informou que ele defendeu, durante a audiência, que os Estados Unidos deixassem de aplicar as tarifas aos produtos brasileiros. O Planalto, porém, sustentou que o parlamentar havia defendido anteriormente apenas a suspensão das medidas, e não seu cancelamento definitivo.

O encontro faz parte das discussões relacionadas à investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

Entenda a disputa comercial

A investigação americana questiona diferentes aspectos da política comercial brasileira, incluindo o sistema de pagamentos Pix e práticas comerciais ligadas ao comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo.

Como consequência, os Estados Unidos estudam aplicar tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros. Paralelamente, o governo brasileiro afirma que mantém negociações diplomáticas desde 2025 para tentar reverter as medidas e minimizar os impactos para empresas e trabalhadores.

Planalto rebate declarações

Na nota, o governo também contestou outros argumentos apresentados por Flávio Bolsonaro durante a audiência. Entre eles, citou a defesa feita pelo senador em relação ao Pix e mencionou investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, além de voltar a relacionar integrantes da família Bolsonaro às discussões sobre o tarifaço.

O Executivo afirmou que continuará priorizando as negociações diplomáticas com os Estados Unidos para tentar impedir a ampliação das barreiras comerciais contra produtos brasileiros.