A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga uma suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi encaminhada nesta segunda-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a oitiva do parlamentar ainda é necessária para a conclusão da investigação e pode, inclusive, abrir espaço para uma eventual retratação prevista na legislação penal.
No parecer enviado ao STF, Gonet pediu que o processo retorne à Polícia Federal para a realização do depoimento de Flávio Bolsonaro. Após essa diligência, a PGR pretende analisar novamente o relatório final antes de decidir sobre os próximos passos do caso.
De acordo com o procurador-geral, ouvir o senador é uma medida considerada relevante para o encerramento das investigações.
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Em relatório encaminhado ao Supremo no mês passado, a Polícia Federal concluiu que a publicação feita por Flávio Bolsonaro atribuiu falsamente crimes ao presidente da República.
A corporação afirmou haver elementos para enquadramento do senador no crime de calúnia previsto no Código Penal e encaminhou o caso ao STF para as providências cabíveis.
O inquérito teve início em abril de 2026, após autorização do ministro Alexandre de Moraes. A abertura da investigação ocorreu a partir de um pedido da Polícia Federal, acompanhado de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
Depois da conclusão do relatório policial, Moraes encaminhou os autos novamente à PGR para manifestação sobre o andamento do processo.
A investigação tem como foco uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro de 2026.
Na publicação, o senador associou Lula à prática de crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraudes eleitorais. O conteúdo também utilizava uma imagem do presidente brasileiro ao lado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Para a Polícia Federal, a mensagem sugere que Lula seria citado em uma eventual delação envolvendo Maduro, atribuindo ao chefe do Executivo crimes sem comprovação, fato que motivou a investigação por suposta calúnia.
Agora, com o pedido da PGR, caberá ao STF decidir sobre a continuidade das diligências antes da conclusão do caso.