Nos últimos meses, o psyllium se tornou um dos assuntos mais comentados entre pessoas que buscam perder peso de forma acessível. A fibra natural passou a ser chamada nas redes sociais de “Mounjaro de pobre”, em referência ao medicamento utilizado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Apesar da comparação ter impulsionado a popularidade do produto, especialistas ressaltam que o psyllium não é um medicamento e possui mecanismos de ação bastante diferentes dos remédios indicados para emagrecimento.
VEJA MAIS
Originário da Índia, o psyllium é uma fibra alimentar extraída das sementes da planta Plantago ovata. Quando misturada à água, ela forma um gel viscoso no sistema digestivo, aumentando a sensação de saciedade e contribuindo para o funcionamento intestinal.
Por ser uma fibra solúvel, o produto é frequentemente utilizado como complemento alimentar por pessoas que desejam controlar o apetite ou melhorar a saúde digestiva.
Pesquisas apontam que o psyllium pode contribuir para a redução do peso corporal quando associado a hábitos saudáveis.
Uma revisão científica publicada pela Wolters Kluwer Health avaliou os efeitos da substância em pessoas com sobrepeso e obesidade. Segundo os pesquisadores, ao absorver água, a fibra forma um gel que retarda a digestão e a absorção dos nutrientes no intestino delgado.
Esse processo prolonga a sensação de estômago cheio, o que pode ajudar a reduzir a ingestão de alimentos ao longo do dia.
Além do potencial auxílio no emagrecimento, os estudos também identificaram benefícios relacionados ao controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2 e à redução dos níveis de colesterol.
O apelido surgiu principalmente pela diferença de preço entre os produtos.
Enquanto medicamentos como o Mounjaro podem custar cerca de R$ 1 mil por aplicação nas farmácias, o psyllium é encontrado em lojas físicas e plataformas online por valores que geralmente variam entre R$ 30 e R$ 100.
No entanto, a semelhança praticamente termina no bolso. O Mounjaro atua por meio de mecanismos hormonais específicos que interferem diretamente na regulação do apetite e do metabolismo, enquanto o psyllium age apenas como uma fibra alimentar que aumenta a saciedade.
Embora seja considerado seguro para a maioria das pessoas, o consumo de psyllium deve ser acompanhado por orientação nutricional ou médica, especialmente para indivíduos com problemas gastrointestinais ou que utilizam medicamentos de uso contínuo.
Especialistas alertam que o uso inadequado da fibra, sem ingestão suficiente de água ou sem ajustes na alimentação, pode causar desconfortos digestivos e até produzir resultados diferentes dos esperados.
A resposta é sim, mas com ressalvas. O psyllium pode ser um aliado na perda de peso por aumentar a saciedade e auxiliar no controle alimentar. Entretanto, ele não promove emagrecimento sozinho nem substitui uma alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento profissional.
Por isso, embora o apelido tenha viralizado nas redes sociais, o produto está longe de reproduzir os efeitos dos medicamentos desenvolvidos especificamente para o tratamento da obesidade.