Uma empresa química de Rafard, na Região Metropolitana de Piracicaba, foi alvo da Operação Fluxo Oculto, deflagrada pelo Ministério Público para combater fraudes fiscais, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro no setor.
A ofensiva ocorreu na manhã de ontem (29) e integra uma nova fase das investigações da Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto do ano passado. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa é suspeita de emitir notas fiscais falsas usadas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
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Ao todo, foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
A ação mobilizou integrantes do Ministério Público, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além das polícias Civil e Militar.
Segundo os investigadores, o esquema criminoso utilizava empresas de fachada, distribuidoras e fintechs para movimentar recursos ilícitos e ocultar a origem do dinheiro.
As investigações apontam que, após as primeiras fases da operação, foram identificadas mais seis fintechs utilizadas como “bancos paralelos” pela organização criminosa.
Essas empresas teriam sido usadas para compensações financeiras internas envolvendo distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas do setor.
De acordo com o Gaeco, as fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025.
Outra frente da investigação revelou um esquema de adulteração de combustíveis utilizando nafta petroquímica.
Segundo o Ministério Público, empresas de fachada simulavam a compra do produto para uso industrial e, posteriormente, desviavam a substância para terminais de armazenamento.
A nafta era então adicionada a combustíveis automotivos, gerando adulteração e aumentando os lucros do grupo criminoso.
Os investigadores estimam que apenas esse esquema tenha causado prejuízo de aproximadamente R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.
Após a adulteração, o combustível era transportado para postos revendedores ligados ao esquema criminoso, segundo as investigações.
O Ministério Público afirma que os recursos obtidos eram enviados posteriormente para fundos de investimento, dificultando a identificação dos reais beneficiários do dinheiro.
A operação contou com a participação de cerca de 135 auditores-fiscais, analistas tributários e servidores da Receita Federal, além de dezenas de agentes dos órgãos parceiros.