O custo do sistema de Justiça no Brasil voltou a chamar atenção após novos dados apontarem um avanço significativo nas despesas públicas. Em 2024, os gastos alcançaram R$ 181,5 bilhões, o equivalente a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB), colocando o país entre os que mais investem proporcionalmente na área em todo o mundo.
Os números, baseados em metodologia internacional, indicam crescimento expressivo em relação ao ano anterior, reforçando o debate sobre eficiência e sustentabilidade do modelo brasileiro.
O aumento foi de 15,8% na comparação com 2023, elevando a participação do Judiciário para 3,38% do total de gastos públicos. Esse montante inclui despesas de diferentes esferas, como tribunais estaduais, regionais e superiores, além de órgãos como Justiça do Trabalho, Eleitoral e Militar.
Também entram na conta instituições que atuam fora do Judiciário tradicional, como Ministério Público, Defensoria Pública e Advocacia-Geral da União, ampliando o peso do sistema no orçamento.
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A maior fatia dos recursos segue concentrada no pagamento de pessoal. Em 2024, salários e encargos responderam por 77,9% das despesas totais. Benefícios assistenciais e previdenciários elevaram ainda mais esse percentual, consolidando um cenário de forte dependência da folha.
A ausência de detalhamento mais preciso sobre verbas indenizatórias impede uma análise aprofundada sobre o impacto de benefícios extras no custo total do sistema.
Outro dado relevante mostra que os estados lideram as despesas com Justiça no país. Em 2024, os governos estaduais desembolsaram R$ 126,5 bilhões, valor cerca de 2,5 vezes superior ao gasto da União, que ficou em R$ 50,6 bilhões.
Essa concentração reforça o peso das estruturas locais no funcionamento do sistema judicial brasileiro.
No cenário global, o Brasil se mantém entre os países com maior gasto proporcional ao PIB na área. Após liderar o ranking em 2021, o país continuou entre os primeiros colocados nos anos seguintes, ficando atrás apenas de El Salvador em alguns períodos recentes.
Enquanto isso, a média internacional é consideravelmente menor, girando em torno de 0,37% do PIB. Países como Alemanha, Espanha e Austrália mantêm níveis bem abaixo do brasileiro, o que evidencia a diferença de escala.
Apesar de limitações na comparação — já que grandes economias não entram no levantamento — o patamar elevado do Brasil reforça o debate sobre o custo e a eficiência da Justiça no país.