Entre os dias 18 e 23 de março, a tentativa de aproximar a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva do público jovem voltou ao centro do debate diante dos novos dados de avaliação do AtlasIntel, em que 53,5% dos jovens disseram desaprovar o governo.
Ainda durante a pré-campanha em 2022, após a saída do marqueteiro Augusto Fonseca, a equipe do petista apostou em mudanças na comunicação digital para dialogar com eleitores mais novos. Entre as ações, esteve a troca da foto de perfil nas redes sociais, em que Lula passou a aparecer com óculos espelhado estilo “Juliet”, em uma tentativa de modernizar sua imagem.
A estratégia foi explicitada nas próprias redes: “Pediram para dar uma rejuvenescida nas redes. Nova foto do perfil. TikTok e Kwai em breve”. A imagem foi registrada em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, ao lado de um jovem durante visita à comunidade.
Apesar das investidas na comunicação, a pesquisa deste mês de março da AtlasIntel indica que o distanciamento com esse público continua. O levantamento aponta que 53,5% dos brasileiros desaprovam o governo, enquanto 45,9% aprovam.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, a rejeição já vinha elevada e chegou a 58,6% em fevereiro, indicando manutenção da insatisfação nessa faixa etária.
O desgaste também avança entre eleitores de menor renda. Entre aqueles que recebem até R$ 2 mil, a desaprovação já havia atingido 56,8%, sinalizando perda de apoio em um grupo historicamente ligado ao governo.
Na faixa intermediária, entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, os índices de rejeição também estão entre os mais altos, refletindo maior sensibilidade à inflação, crédito e renda disponível.
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Entre evangélicos, a rejeição alcança 74,2%, um dos níveis mais altos entre todos os recortes analisados. Já entre católicos, Lula mantém vantagem, mas insuficiente para reverter o cenário geral.
No recorte por gênero, o presidente segue melhor avaliado entre mulheres, enquanto enfrenta maior desaprovação entre homens.
Regionalmente, o Nordeste continua sendo o principal reduto de aprovação do governo. Já regiões como Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram índices mais elevados de rejeição, com destaque para o Centro-Oeste.
A desaprovação acima de 50% já influencia o cenário eleitoral. Lula ainda lidera em simulações de primeiro turno, mas com vantagem reduzida.
No segundo turno, o cenário é mais equilibrado, com disputas apertadas e dependentes de oscilações em segmentos específicos — especialmente entre os jovens.
A comparação entre fevereiro e março indica estabilidade no quadro: a rejeição não cresce de forma abrupta, mas também não recua.
O levantamento ouviu 5.028 pessoas, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
O cenário reforça o principal desafio do governo: reconectar-se com o eleitorado jovem, alvo de estratégias desde a pré-campanha, mas que segue como um dos principais focos de desgaste.