A APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) atende crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, autismo, paralisia cerebral e outras condições. A instituição realiza cerca de 3.500 atendimentos mensais nas áreas de educação, saúde e assistência social, oferecendo todos os serviços de forma gratuita.
A APAE Piracicaba completou 40 anos de atuação em Piracicaba. O aniversário oficial da instituição é comemorado no dia 29 de janeiro, mas as comemorações entre assistidos e funcionários foram realizadas em março, mês em que também é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, em 21 de março.
Para iniciar o atendimento na instituição, é necessário encaminhamento médico pelo SUS com laudo. Depois disso, o responsável deve entrar em contato com a APAE para agendar a triagem e dar início ao processo de acolhimento.
Após a entrega da documentação, o paciente passa por triagem com assistente social e enfermagem. Em seguida, é feita a avaliação com a equipe técnica, composta por profissionais como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, psicomotricista e neuropediatra. O atendimento passa então a ser multidisciplinar, com acompanhamento conforme a necessidade de cada assistido.
A coordenadora de saúde, Maria Isabel Prezotto Vicente, acompanha o fluxo de atendimentos e os encaminhamentos dos pacientes.
Dados da instituição mostram que somente na área da saúde foram realizados 4.160 procedimentos ao longo de 2025, com média de 346 procedimentos por mês. Ao longo do ano, 1.571 pessoas foram atendidas, com média mensal de 130 atendidos.
Na área educacional, a instituição atende alunos a partir dos seis anos de idade com ensino especializado e currículo adaptado, respeitando o desenvolvimento individual de cada estudante. Atualmente, a escola conta com 88 alunos matriculados.
De acordo com a coordenadora pedagógica, Michelli Pastorello do Prado, o trabalho pedagógico é individualizado e adaptado para cada aluno.
“O nosso trabalho aqui na APAE é trabalhar com o currículo adaptado e adaptar a atividade para o nível de desenvolvimento do aluno”, explicou.
A diretora escolar, Juliana Zulin, também destacou o público atendido pela escola.
“Atualmente estamos com alunos e atendemos o público com deficiência intelectual e também alunos com autismo”, afirmou.
Algumas famílias relatam que os alunos não conseguiam se adaptar ao ensino regular, mas apresentaram evolução após o ingresso na instituição.
A mãe do assistido João Rodrigues Alves Bastos, Deborah Aparecida Albino, contou que o filho enfrentava dificuldades na escola comum.
“Desde pequenininho ele nunca se adaptou na sala de aula, era uma luta. Aqui na APAE ele se desenvolveu muito melhor”, relatou.
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Já a assistida Luisa Dias Machado, de 15 anos, que tem paralisia cerebral e frequenta a instituição, falou sobre o acompanhamento que recebe.
“Se não fosse a minha mãe para me ajudar nessas regressões que eu tenho hoje, me levar no médico, em psicólogos...tudo eu faço na APAE”, contou.
A mãe, Eva Damasceno, acompanha o tratamento da filha e também coordena do grupo de mães da instituição que oferece apoio e orientação entre as mulheres.
A APAE também mantém o Centro Dia, que oferece oficinas e atividades durante o dia para os assistidos, promovendo desenvolvimento social, motor e convivência.
No local são realizadas atividades como capoeira, dança e arteterapia, além de atividades pedagógicas e de convivência, com acompanhamento de profissionais da instituição.
A coordenadora do Centro Dia, Flaviana Aparecida Pinto, acompanha as atividades desenvolvidas com os assistidos nos períodos da manhã e da tarde.
Outra mãe atendida pela instituição, Maria da Graça Martins Barbosa, também destacou a importância do atendimento para o filho, Ivan Franco Barbosa, de 30 anos, cadeirante e com paralisia cerebral, por isso contou que é voluntária da APAE também em múltiplas funções.
Todos os atendimentos oferecidos pela APAE são gratuitos. No Centro Dia, os assistidos participam das atividades em meio período e também recebem refeições durante o atendimento, além de acompanhamento de profissionais e atividades de convivência e desenvolvimento.
Segundo o presidente da instituição, Joaquim de Souza Pereira, a APAE atua nas áreas de educação, saúde e assistência social e depende de recursos públicos e doações para manter os atendimentos.
“Cerca de 80% de todo o recurso da APAE é mantido pelo governo estadual e pelo governo federal. Os outros 20% vêm através de doações, ajuda de empresas, eventos e também da Nota Fiscal Paulista”, explicou.
Há 40 anos, a APAE de Piracicaba atende não apenas alunos e pacientes, mas também acolhe famílias inteiras, construindo histórias de inclusão, desenvolvimento e qualidade de vida no município.