Piracicaba registrou uma queda significativa no ranking nacional de saneamento básico e acendeu um sinal de alerta sobre a qualidade dos serviços na cidade. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil nesta quarta-feira (18), o município caiu 11 posições e passou da 24ª para a 35ª colocação na edição de 2026.
O estudo leva em consideração dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), vinculado ao Ministério das Cidades, e avalia os 100 municípios mais populosos do país com base em três pilares: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência dos serviços.
De acordo com o levantamento, a principal queda de Piracicaba foi a redução no atendimento de água à população, além da diminuição no investimento por habitante, que caiu cerca de R$ 80 em comparação ao período anterior.
A cidade aparece entre os municípios com maior variação negativa no ranking, ao lado de Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB) e Santo André (SP).
Apesar da queda geral, Piracicaba ainda se destaca em um dos indicadores: é a 6ª melhor cidade do país em coleta de esgoto, com índice de 99,69%, próximo da universalização.
O levantamento também aponta que o índice médio de coleta de esgoto nos municípios analisados foi de 76,97% em 2024, ainda acima da média nacional, que é de 56,7%.
Outro dado importante é o índice de perdas na distribuição de água — que mede o desperdício entre o que é produzido e o que chega às casas. A média entre as cidades avaliadas foi de 41,51%, mostrando melhora em relação ao ano anterior.
Em nota, o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) e a Prefeitura de Piracicaba afirmaram que os dados refletem um período anterior à atual gestão. Segundo o órgão, 2024 não registrou avanços relevantes nos indicadores.
A administração atual destacou que, a partir de 2025, iniciou uma série de investimentos para reverter o cenário. Entre as ações, estão obras de ampliação de estações de tratamento, construção de adutoras e melhorias na distribuição de água.
Ao todo, mais de R$ 118 milhões foram investidos no setor, com foco em ampliar o abastecimento e reduzir perdas no sistema.