O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu uma reestruturação na rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2023 e 2025, com o encerramento de mais de 2.800 leitos nas áreas de psiquiatria, obstetrícia e pediatria. Em paralelo, houve ampliação significativa de leitos cirúrgicos, indicando uma mudança no perfil da assistência pública.
A redistribuição ocorre em especialidades consideradas estratégicas, especialmente no atendimento à saúde mental e materno-infantil, e levanta debates sobre os impactos no acesso da população aos serviços hospitalares.
Levantamento produzido pelo Instituto Teotônio Vilela com base em dados do Datasus e do IBGE aponta que a maior queda ocorreu na psiquiatria, com 1.885 leitos desativados no período analisado.
Na obstetrícia, foram fechadas 679 unidades, enquanto a pediatria perdeu 302 leitos. Essas áreas são consideradas fundamentais para o atendimento contínuo de gestantes, recém-nascidos e crianças, além de pacientes com transtornos mentais.
A redução ocorre em um cenário de reorganização do modelo assistencial, com foco crescente em serviços substitutivos e ambulatoriais.
VER MAIS
Em sentido oposto, os leitos cirúrgicos registraram forte crescimento. Desde 2023, foram criadas 7.526 novas unidades voltadas a procedimentos operatórios, número superior ao observado nos primeiros anos do governo Jair Bolsonaro.
O avanço acompanha o aumento no volume de cirurgias eletivas realizadas pelo sistema público, após o represamento causado pela pandemia.
Ainda assim, o ritmo geral de abertura de leitos foi menor. Entre 2023 e 2025, foram criadas 7.050 unidades nas especialidades analisadas, abaixo das mais de 10 mil registradas no período equivalente da gestão anterior.
De acordo com o Ministério da Saúde, o número total de leitos disponíveis no SUS aumentou em mais de 10 mil unidades desde 2022, alcançando 360.444 em 2025. O crescimento interrompe uma tendência de queda observada ao longo de mais de uma década.
A pasta atribui as mudanças a fatores estruturais, como a redução no tempo de internação, o uso de técnicas menos invasivas, a queda da natalidade e a transição para novos modelos de atendimento em saúde mental.
Também foram ampliados os investimentos federais em áreas prioritárias. O orçamento destinado à saúde mental cresceu 70%, enquanto novos projetos voltados à assistência materna e neonatal foram incluídos no Novo PAC Saúde, com previsão de construção de maternidades e centros especializados.
Desde 2005, o país perdeu mais de 38 mil leitos hospitalares no sistema público. Apesar disso, o volume atual representa o maior patamar desde 2014, impulsionado principalmente pela expansão da capacidade cirúrgica.
A reorganização reflete uma tentativa de adaptação às novas demandas da população, ao mesmo tempo em que mantém o debate sobre o equilíbrio entre especialidades essenciais e o acesso aos serviços hospitalares.