17 de fevereiro de 2026
ESTUDO

Uso de álcool e drogas pelos pais influencia consumo dos filhos

Por Da Redação JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
GOV
O uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia diretamente o comportamento dos filhos adolescentes.

O uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia diretamente o comportamento dos filhos adolescentes. A conclusão é de um estudo brasileiro que analisou dados de 4.280 jovens e seus responsáveis para entender se os estilos parentais podem interromper o padrão intergeracional do consumo dessas substâncias.

A pesquisa partiu da pergunta: “Tal pai, tal filho? Os estilos parentais podem interromper o padrão intergeracional do uso de álcool e outras drogas?”. Os resultados mostram que as atitudes dos pais continuam sendo um dos fatores mais relevantes na prevenção ao consumo entre jovens. No entanto, a forma como os responsáveis educam seus filhos pode amenizar significativamente o risco, mesmo em famílias em que os cuidadores fazem uso de álcool, cigarro, vapes cuja comercialização é proibida no Brasil  e maconha.



A redução do risco é mais significativa quando a relação familiar é marcada por vínculo, presença, diálogo e regras claras de conduta, características do chamado estilo parental “autoritativo”, que combina acolhimento e monitoramento. Ao todo, o estudo analisou quatro estilos parentais: autoritativo, autoritário, permissivo e negligente. O estilo autoritário também apresentou efeito protetor, mas com impacto menor em relação ao consumo de álcool. Já os estilos permissivo e negligente não demonstraram efeitos de proteção.

Os perfis de consumo dos adolescentes foram divididos em três grupos: abstêmios; aqueles que apenas consomem bebidas alcoólicas; e os que utilizam duas ou mais substâncias. De acordo com os dados, o consumo de álcool pelos pais foi associado a uma probabilidade de 24% de uso de bebidas alcoólicas pelos filhos e 6% para o uso de duas ou mais drogas. Quando os responsáveis consomem múltiplas substâncias, o risco entre os jovens sobe para 17% no caso do álcool e 28% para duas ou mais drogas.

Os achados foram publicados no site da revista científica Addictive Behaviors e descritos na edição de março da publicação. Em nível global, o álcool é um dos principais fatores de risco para o aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, câncer e diabetes. Além dos efeitos físicos, como lesões hepáticas e comprometimento do sistema cardiovascular, o consumo também está associado a maior vulnerabilidade a infecções, quadros de ansiedade, dificuldades de concentração e transtorno depressivo.

No Brasil, apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, mais da metade da população (56%) experimentou álcool pela primeira vez antes dessa idade e 25,5% passou a beber regularmente ainda na adolescência, segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Justiça e a Ipsos Public Affairs, com divulgação em 2025.

O levantamento aponta ainda que 27,6% dos adolescentes entre 14 e 17 anos já consumiram álcool em algum momento da vida, o que representa cerca de 3,2 milhões de jovens. No último ano, o uso foi relatado por 19% desse grupo, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de adolescentes.

“Com esse estudo, reforçamos o fato de que o padrão de uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia o dos filhos”, afirma a professora Zila Sanchez, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.