Ainda é Janeiro Branco, mês da saúde mental, então vamos falar sobre duas histórias de fobias que afetam a vida de adultos.
Aos 25 anos, Giulia Miranda convive com medos que atravessam sua rotina desde a infância. Diagnosticada com Hidrofobia, Talassofobia e Claustrofobia, ela diz sentir apenas um pouco dessas fobias, mas situações específicas ainda podem gerar desconforto e ansiedade.
Quando criança, Giulia chorava ao tomar banho. A água no rosto provocava desconforto imediato, motivo pelo qual, até hoje, ela evita esse contato e seca o rosto assim que termina de se banhar.
Embora não sofra de forma intensa, Giulia explica que nunca teve afinidade com água. O desconforto se estende à permanência em ambientes aquáticos. A Talassofobia reforça o receio de mares e grandes volumes de água, enquanto a Hidrofobia mantém a necessidade de precauções simples, como secar o rosto rapidamente.
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Já a Claustrofobia é o medo intenso e irracional de permanecer em espaços fechados ou confinados. Esses medos também influenciam hábitos cotidianos de Giulia: “eu só sento no corredor de ônibus, de avião porque eu me sinto sufocada perto da janela”, afirma. A Claustrofobia também interfere em suas relações pessoais. Ela explica que não gosta de abraços por sentir uma sensação de aprisionamento.
O medo ainda se estende a pensamentos sobre a morte. A ideia de um caixão fechado embaixo da terra a deixa agoniada.
Matheus Tomieiro, de 26 anos, convive desde a infância com a Tanatofobia, a fobia da morte. Quando pequeno, pensamentos sobre a finitude surgiam de forma repentina e desencadeavam crises de ansiedade, levando-o a correr para a caminha dos pais em busca de proteção.
Hoje, na vida adulta, Matheus avalia que a forma como percebe esse medo mudou. Segundo ele, na infância, o sentimento era mais irracional, marcado pelo pânico imediato. “Antes era um medo quase irracional que levava inclusive para as crises de ansiedade”, relembra Matheus Tomieiro.
Na fase adulta, embora os pensamentos sobre a morte sejam mais racionais, o desconforto permanece. Matheus explica que: “hoje em dia eu acho que é mais um temor racional e efetivamente mesmo uma fobia”.
O psicanalista Junior Ometto explica a diferença entre medo e fobia: “O ‘medo’ é uma emoção natural, que nos protege diante de um perigo real, essencial para nossa sobrevivência. Já a ‘fobia’ é um medo irracional, muito intenso e desequilibrado, que causa pânico e prejuízo na vida da pessoa. Esse sofrimento caracteriza um transtorno ligado à ansiedade e precisa ser tratado”. Segundo ele, o limite entre medo e fobia é percebido pelo nível de intensidade e pelo quanto essa emoção afeta a vida do indivíduo.
Giulia concorda com o psicanalista que sentir medo é normal, mas alerta para os impactos quando ele passa a limitar a vida da pessoa. “já que a vida é só, você viver com medo limitante é muito ruim, então se você não consegue superar qualquer que seja seu medo, acho que procurar ajuda é sempre bem-vindo.", afirma.
Matheus afirma que faz acompanhamento com a psicóloga e com o psiquiatra para os medicamentos pois é essencial conjugar os dois tratamentos pra evitar recidiva. "É de um conforto psicológico absurdo.", elogia.
Ao compartilharem suas experiências, Giulia Miranda e Matheus Tomieiro contribuem para ampliar e elucidar o debate sobre saúde mental e fobias específicas. Os relatos mostram que, mesmo quando o medo é moderado ou mais racional, ele continua real e impactante na vida dos adultos.
A conscientização, o diálogo aberto e a busca por tratamento são apontados como caminhos fundamentais para reduzir estigmas e incentivar o cuidado emocional desde a infância e em qualquer mês do ano, não só janeiro.