21 de janeiro de 2026
ATENÇÃO

Adeus aos orelhões: retirada começa em janeiro em todo o país

Por Gabriele C. Sanches/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Redes socias

O ano de 2026 marca o encerramento definitivo de um dos símbolos mais conhecidos da comunicação brasileira. A partir de janeiro, os orelhões — telefones públicos que fizeram parte do cotidiano do país por décadas — começarão a ser retirados das ruas em todo o território nacional.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil aparelhos espalhados pelo Brasil. A retirada ocorre após o fim das concessões do serviço de telefonia fixa, encerradas em 2025, o que desobriga as operadoras de manter a infraestrutura dos telefones públicos.

Com o término dos contratos, empresas como Algar Telecom, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica Brasil deixam de ter obrigação legal de conservar os aparelhos.

A extinção, no entanto, não será imediata em todos os municípios. A Anatel informou que os orelhões continuarão funcionando apenas em localidades onde não há cobertura de telefonia móvel ou outra alternativa de comunicação, e somente até o ano de 2028. Nos demais locais, a remoção em massa de cabines e carcaças desativadas começa já em janeiro.



O processo de retirada vem acontecendo de forma gradual nos últimos anos. Em 2020, o Brasil ainda contava com aproximadamente 202 mil telefones públicos. Atualmente, pouco mais de 33 mil aparelhos seguem ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

Como contrapartida ao fim do serviço, a Anatel determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos orelhões sejam redirecionados para investimentos em banda larga e redes de telefonia móvel, que hoje concentram a maior parte da comunicação no país.

Durante décadas, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os orelhões tiveram papel essencial na vida dos brasileiros. Eram usados para emergências, encontros, notícias importantes e, muitas vezes, representavam o único meio de contato fora de casa. A clássica “ligação a cobrar” e o som da ficha caindo se tornaram marcas de uma geração.

Recentemente, o telefone público voltou a chamar atenção das gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, indicado pelo Brasil ao Oscar 2026. Na imagem, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, aparece dentro de uma cabine oval segurando um telefone público.

O orelhão foi criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Antes de ganhar o nome popular, os modelos eram conhecidos como Chu I e Tulipa. O design inovador se destacou não apenas pela estética, mas também pela funcionalidade: o formato ajudava a reduzir ruídos externos e melhorar a qualidade acústica das ligações.

O sucesso foi tão grande que o modelo brasileiro acabou sendo reproduzido em países como Peru, Angola, Moçambique e China, consolidando o orelhão como um ícone do design urbano e da história da comunicação no Brasil.