Em pleno Janeiro Branco, mês dedicado à saúde mental, Piracicaba chama a atenção para a dimensão do cuidado oferecido à população. Apenas em 2025, a rede pública do município realizou 57.951 atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.
O Doutor em Psincanálise, Júnior Ometto observa que o aumento de atendimentos nos CAPS reflete uma tendência mundial: mais pessoas buscam cuidado psicológico: "estamos observando um crescimento significativo nos atendimentos em saúde mental no Brasil e no mundo. Isso passa por uma maior conscientização da população, pelos impactos de crises globais, como a pandemia, mas principalmente pela dificuldade crescente de lidar com frustrações, limites e adversidades”. Ele aponta que transtornos como ansiedade, depressão, compulsões e vícios têm se tornado mais comuns e que quadros existentes frequentemente se agravam.
Segundo Ometto, os transtornos mentais surgem de uma combinação de fatores:
Ele destaca que a vida moderna intensifica esses fatores por meio de cobranças excessivas, comparações nas redes sociais, preocupação constante com o futuro e tentativa de controlar o incontrolável.
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Ometto reforça que pequenas mudanças no cotidiano podem prevenir ou reduzir transtornos:
Ele acrescenta: “Procurar um profissional de saúde mental não é sinal de fraqueza, mas um ato de coragem, força, maturidade e autocuidado”.
Os CAPS oferecem atendimento multiprofissional a usuários em intenso sofrimento psíquico, incluindo casos relacionados ao uso abusivo de substâncias psicoativas. O cuidado é organizado pelo Projeto Terapêutico Singular (PTS), construído conjuntamente entre equipe, paciente e família. Entre os serviços estão:
Os CAPS são estratégicos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), garantindo atendimento humanizado, contínuo, universal e gratuito. “Mais do que consultas, oferecemos apoio à reabilitação psicossocial e à promoção da cidadania”, afirma Rodrigo Monteiro, diretor da Atenção Especializada.