16 de janeiro de 2026
SAÚDE

Ministério da Saúde rejeita vacina herpes-zóster no SUS

Por Gabriele C. Sanches |
| Tempo de leitura: 3 min
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Ministério da Saúde decide não incluir vacina contra herpes-zóster no SUS

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e tem como base a análise de custo-benefício realizada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Segundo o relatório técnico, apesar de a vacina ser considerada eficaz na prevenção da doença, o alto custo do imunizante foi apontado como o principal obstáculo para sua inclusão no programa nacional de imunização. O documento destaca que, diante do impacto financeiro estimado, a incorporação não seria sustentável para o orçamento do SUS neste momento.

A vacina avaliada é do tipo recombinante adjuvada e tem indicação para idosos com 80 anos ou mais, além de pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. De acordo com a Conitec, a proteção oferecida é relevante, especialmente para os grupos de maior risco, mas o valor atual inviabiliza sua adoção em larga escala.

Os cálculos apresentados apontam que a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano teria um custo aproximado de R$ 1,2 bilhão anuais. Ao longo de cinco anos, o investimento total poderia chegar a R$ 5,2 bilhões. Com base nesses números, o imunizante foi classificado como não custo-efetivo para o sistema público de saúde.

Ainda assim, o Ministério da Saúde informou que a decisão pode ser revista futuramente. Caso surjam novos estudos, mudanças no preço ou outras evidências que alterem a avaliação econômica, o tema poderá ser submetido a uma nova análise pela Conitec.



O que é o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece inativo no organismo e pode ser reativado anos depois, principalmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico comprometido.

Os sintomas iniciais incluem dor, ardência, coceira e sensibilidade na pele, além de febre baixa e mal-estar. Em seguida, surgem lesões avermelhadas que evoluem para bolhas, geralmente localizadas em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo. A doença costuma durar entre duas e três semanas.

Atendimento pelo SUS

No SUS, os casos leves de herpes-zóster recebem tratamento sintomático, com medicamentos para aliviar dor, febre e coceira, além de orientações sobre cuidados com a pele. Já em situações mais graves — como em idosos, imunocomprometidos ou pacientes com risco de complicações — é indicado o uso do antiviral aciclovir.

Dados oficiais do sistema de saúde mostram que, entre 2008 e 2024, foram registrados mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e cerca de 30 mil internações relacionadas ao herpes-zóster no Brasil. Entre 2007 e 2023, a doença foi responsável por 1.567 mortes, sendo a maioria dos óbitos em pessoas com mais de 50 anos, especialmente idosos acima de 80 anos.