O Projeto Um novo Cãomeço encerrou 2025 com um marco histórico: 117 animais resgatados, o maior número já registrado pelo grupo desde o início do controle dos atendimentos. O avanço, porém, vem acompanhado de desafios que moldam as metas para 2026, centradas em ampliar adoções, garantir lares temporários e investir na prevenção do abandono.
Formado por seis voluntárias — Carolina Zanotta, Nathalia Godoi, Bruna Roman, Vanessa Trevisan Costa, Simone Lourenço e Heloísa Andrade — o projeto atua de forma independente, sem fins lucrativos e sem abrigo próprio, contando com o apoio da comunidade para manter as ações.
A trajetória recente mostra crescimento contínuo: 91 resgates em 2023, 104 em 2024 e o recorde em 2025. Para as voluntárias, os números refletem maior organização, mas também o agravamento do abandono e dos casos de risco nas ruas.
Apesar do recorde, o grupo reforça que a capacidade de resgatar novos animais está diretamente ligada a dois fatores-chave: adoções responsáveis e lares temporários disponíveis
Cada adoção concretizada libera espaço e recursos para acolher outros animais. Cães adultos, que costumam esperar mais tempo por um lar definitivo, são prioridade nas campanhas, pois sua adoção é decisiva para manter o fluxo de resgates. Quem se interessar pode entrar em contato com o projeto pelo Instagram para conhecer os cães disponíveis: @um_novo_caomeco.
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Como não possui local fixo, o Um novo Cãomeço depende exclusivamente de pessoas que acolham os animais em casa durante a recuperação e até a adoção. Diariamente, chegam mensagens com fotos e vídeos de cães abandonados, feridos ou em risco. Em muitos casos, quem pede ajuda não consegue acolher nem de forma provisória, o que impede a ação imediata.
Essa realidade faz com que o grupo precise recusar atendimentos, mesmo diante de situações graves.
A maioria dos pedidos chega pelo Instagram. Cada solicitação passa por análise responsável: coleta de informações, avaliação da gravidade e verificação das condições reais de atendimento. Quando aprovado, o resgate é feito diretamente pelas voluntárias, que avaliam o animal no local e definem a melhor forma de ajuda.
Sempre que possível, o trabalho prioriza atendimento veterinário, castração e encaminhamento para adoção responsável, pilares para quebrar o ciclo do abandono.
Entre os episódios mais impactantes está o resgate do cãozinho de rua, Barba, atacado por um pitbull na frente do tutor, sem ter socorro imediato. Após tratamento e recuperação, Barba foi adotado, tornando-se símbolo do impacto do trabalho — e da importância da intervenção rápida.
Para 2026, Um novo Cãomeço quer ampliar os resgates, condicionando esse avanço ao aumento das adoções e da oferta de lares temporários. Outro foco central é expandir as castrações, atuando na raiz do problema e reduzindo o número de animais nas ruas.
O projeto também participa de ações comunitárias para promover adoções. No domingo, 11, estará presente em um das feiras de adoção da ONG Sppa na Agropecuária do Mané, na Avenisa Alberto Vollet Sachs, oferecendo a oportunidade de conhecer e adotar os cães acolhidos pelo grupo.
As voluntárias reforçam que doações, parcerias, lares temporários e adoções são decisivos para transformar as metas em realidade e ficaram muito muito gratas pelo recorde de 2025. Mas é preciso sempre o engajamento coletivo, porque muitos pedidos continuarão sem resposta — não por falta de vontade, mas por falta de estrutura.