O avanço dos pagamentos digitais e o hábito de pedir CPF na nota colocaram o cotidiano do consumidor no centro do sistema de fiscalização do país. Por trás de ações rotineiras, como pagar uma conta via Pix ou informar o documento em uma compra, existe um complexo mecanismo de cruzamento de dados usado pela Receita Federal para identificar inconsistências e combater a sonegação de impostos.
Com tecnologia cada vez mais sofisticada, o Fisco reúne informações de diferentes bases para verificar se os gastos e a movimentação financeira de uma pessoa são compatíveis com a renda declarada ao Imposto de Renda.
O monitoramento não ocorre transação por transação, nem em tempo real. Quando o consumidor informa o CPF no momento da compra, o comerciante emite uma nota fiscal eletrônica. Esse documento é enviado à Secretaria da Fazenda estadual, que posteriormente compartilha os dados com a Receita Federal.
O mesmo princípio vale para as operações financeiras. Bancos e instituições de pagamento são obrigados a repassar informações consolidadas por meio da declaração conhecida como e-Financeira, reunindo o total movimentado ao longo do mês.
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Não existe cobrança de imposto específica sobre transferências via Pix. O que ocorre é a comunicação dos valores totais movimentados mensalmente. Desde janeiro de 2025, pessoas físicas que ultrapassam R$ 5 mil em transações no mês entram nesse relatório. Para empresas, o limite é de R$ 15 mil.
Esse envio engloba todas as formas de pagamento, como Pix, TED, DOC e transferências internas, sem distinção entre as modalidades.
O cruzamento acontece quando a Receita compara os dados recebidos de estados e instituições financeiras com a declaração anual do contribuinte. O foco está em identificar padrões de consumo incompatíveis com a renda informada.
Situações recorrentes que despertam atenção incluem:
Com a digitalização da economia, o recado do Leão é claro: transparência e organização financeira são cada vez mais importantes para evitar problemas com o Fisco.