Acidentes com escorpiões virou um desafio para a saúde pública. No estado de SP, Piracicaba lidera esse tipo de ocorrência.
A maior parte das picadas de escorpião em 2025, no estado de São Paulo, ocorreu em pessoas de 20 a 29 anos (15%) e nas faixas de 40 a 49 anos (15%) e 50 a 59 anos (15%). Crianças de um a quatro anos respondem por 3% dos acidentes, e os idosos acima de 80 anos, 2%. Os dados do painel Acidentes por Animais Peçonhentos, da Secretaria Estadual da Saúde, são referentes até 19 de novembro.
A região corporal mais afetada são os dedos das mãos (24,82%). Em seguida, estão o pé (19,18%) e a mão (19,10%). De acordo com a plataforma, 2,81% dos casos a picada foi na cabeça.
Na capital paulista, no mesmo período, houve 365 notificações, sem óbitos. Em 2025, Piracicaba, no interior paulista, lidera a lista dos municípios com mais acidentes escorpiônicos, com 17.894 registros e quatro mortes. Ribeirão Preto aparece com 14.504 notificações e seis óbitos. Em Araçatuba, houve 11.689 acidentados - destes, três morreram. As cidades ficam no interior paulista.
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Nos últimos dois anos, houve queda no número de casos de acidentes com escorpiões no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Foram notificados 173,7 mil casos em 2025 (até outubro), contra 201,3 mil em 2024 e 206,1 mil em 2023. Dados de 2024 e 2025 são preliminares e sujeitos a atualização.
Em 2025, Minas Gerais tem o segundo maior número de notificações, 32,8 mil. A Bahia registrou 19,2 mil casos e Pernambuco, 14,6 mil.
O SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza gratuitamente os antivenenos utilizados no tratamento de acidentes com escorpiões. A distribuição é realizada regularmente a todos os estados, conforme a demanda das secretarias de saúde.
A Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo), em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, elaborou um ebook para orientar os serviços no atendimento a casos de picadas por escorpiões.
O material é voltado a gestores de saúde, UBSs (Unidades Básicas de Saúde), hospitais, pronto atendimentos, profissionais de saúde, lideranças de atendimento ao usuário, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Departamentos Regionais de Saúde e ao Cosems (Conselho dos Secretários Municipais de São Paulo).
Em caso de picadas de escorpião, Nathalia Franceschi, técnica em saúde pública da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, orienta a lavar o local com água e sabão, de imediato -nunca espremer ou sugar- e aplicar uma compressa morna. A recomendação é procurar rapidamente a unidade de saúde mais próxima para um profissional de saúde o avalie.
"Se possível, leve o animal que provocou a picada ou uma foto que possa ajudar na identificação da espécie, mas não é necessário capturá-lo", explica.
É importante salientar que a chuva e as altas temperaturas favorecem a reprodução do escorpião. "Quando chove muito, enche os bueiros e esses animais saem destes locais, onde se abrigam preferencialmente", ressalta Nathalia.
De acordo com a técnica em saúde pública, os sinais e sintomas mais comuns após a picada do escorpião incluem dor intensa no local, sensação de ardência e inflamação -a depender da população acometida.
Em casos mais graves também pode haver vômitos intensos, suor, agitação, aumento dos batimentos cardíacos e da respiração.
"Já em situações que são consideradas mais graves, o que geralmente ocorre em crianças de até dez anos, o vômito pode ser muito frequente e abundante, assim como a sudorese, além do choro intenso e contínuo e da dor no local. Esses sintomas exigem um atendimento médico imediato", alerta.
Cães e gatos também podem ser picados por escorpião, geralmente nas patas e focinho. Os sintomas e a gravidade variam conforme o tipo de escorpião, a região afetada e o tamanho do animal picado. Quanto menor o bichinho mais risco de morte ele corre. Por isso, o atendimento veterinário precisa ser rápido.
Prevenção
* Mantenha quintais, jardins e áreas de serviço limpos, sem entulho ou restos de construção;
* Evite acumular lixo, folhas secas e madeira;
* Guarde objetos em locais elevados;
* Vede frestas em paredes e pisos, use telas em ralos e batentes de portas;
* Ao andar em áreas verdes, use calçados fechados e luvas, principalmente, ao manusear materiais empilhados;
* Guarde calçados em sacos plásticos ou caixas;
* Sacuda roupas, toalhas e calçados antes de usá-los.