CASO MARIA EDUARDA

Justiça cobra Meta sobre posts apagados após morte em rope jump

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Segundo o Ministério Público, os responsáveis pelo salto deixaram de adotar procedimentos básicos de segurança, incluindo a conferência da conexão da corda e dos equipamentos.
Segundo o Ministério Público, os responsáveis pelo salto deixaram de adotar procedimentos básicos de segurança, incluindo a conferência da conexão da corda e dos equipamentos.

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, ocorrida durante um salto de rope jump em Limeira, ganhou um novo desdobramento. A Justiça determinou que a Meta apresente informações sobre possíveis exclusões de publicações feitas pelo grupo Entre Cordas nas redes sociais depois do acidente, registrado em 13 de junho deste ano. A empresa, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, também deverá esclarecer por que a conta da organização foi desativada na plataforma.

O pedido judicial busca identificar se os próprios administradores retiraram os conteúdos do ar ou se a plataforma suspendeu o perfil em razão do volume de publicações relacionadas à tragédia. Inicialmente, a Justiça havia determinado a reativação da conta, atendendo a uma solicitação da defesa de Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pelo grupo e uma das quatro pessoas presas no caso. Entretanto, uma tentativa de acesso realizada em 27 de outubro não teve sucesso, mesmo com a utilização de usuário e senha válidos, devido à exigência de um código de autenticação enviado a um celular ainda não identificado. Após o problema, uma nova decisão, também de 27 de outubro, determinou o envio de um ofício à Meta para obter esclarecimentos sobre a eventual exclusão de publicações desde 13 de junho e as razões da desativação do perfil. 

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Réus devem prestar depoimento nesta terça-feira

Enquanto aguarda os esclarecimentos da plataforma, a Justiça dá continuidade à fase de depoimentos do processo. Após ouvir as testemunhas e Evelyne, estão previstos para esta terça-feira (3) os interrogatórios dos outros três réus presos: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves. Os três são apontados como instrutores diretamente envolvidos na realização do salto. As defesas de Luis Felipe e Maicon chegaram a solicitar o adiamento da audiência até que a Meta respondesse aos questionamentos judiciais, mas o pedido foi negado.

Os quatro acusados respondem por homicídio qualificado mediante dolo eventual, modalidade em que não há necessariamente a intenção direta de provocar a morte, mas existe a consciência do risco e a decisão de prosseguir com a conduta. Evelyne também responde por fraude processual. Conforme a denúncia do Ministério Público, os responsáveis pela atividade tinham conhecimento dos perigos envolvidos, mas teriam deixado de adotar procedimentos básicos de segurança, como verificar a conexão da corda utilizada no salto e realizar uma segunda conferência dos equipamentos.

A acusação ainda sustenta que o grupo não possuía uma divisão adequada de responsabilidades, explorava comercialmente a atividade sem cumprir as exigências legais aplicáveis e priorizava os interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. No caso dos três instrutores, o Ministério Público atribui o homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima. Já Evelyne é acusada de homicídio qualificado por omissão imprópria, além de fraude processual. O processo busca esclarecer as responsabilidades individuais pela morte de Maria Eduarda.

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