Roer unhas, chupar o dedo, enrolar o cabelo ou dormir sempre com o mesmo objeto são atitudes que podem acompanhar diferentes fases da infância. Na maioria das vezes, elas desaparecem gradualmente e não representam um problema. A preocupação aumenta quando a repetição provoca machucados, causa sofrimento ou começa a atrapalhar atividades como dormir, estudar, brincar ou frequentar a escola.
Esses comportamentos também podem funcionar como uma maneira de aliviar emoções que a criança ainda não consegue explicar. A ansiedade, por exemplo, pode estar relacionada ao hábito de roer unhas. Nesses casos, transformar a atitude em motivo de bronca, ameaça ou vergonha pode ter efeito contrário ao esperado, aumentando a tensão e fazendo com que a criança repita ainda mais o comportamento.
Uma estratégia mais adequada é observar o que acontece antes e depois da repetição e tentar oferecer alternativas de conforto ou distração. A mesma lógica vale para objetos aos quais a criança demonstra forte apego, como paninhos e bichos de pelúcia. Eles podem ajudar a transmitir segurança em momentos de separação, como a entrada na escola, e não significam, isoladamente, que exista algum transtorno.
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Os tiques precisam ser observados de outra maneira. Piscar repetidamente, mexer os ombros, enrugar o nariz ou produzir determinados sons são exemplos de movimentos e vocalizações que podem aparecer de forma involuntária. A criança pode conseguir interrompê-los por algum tempo, mas isso não significa que tenha facilidade para controlar completamente a necessidade de realizá-los. Situações de ansiedade também podem estar associadas a esse quadro.
Preferências rígidas e pequenas sequências repetidas também podem surgir durante o desenvolvimento. Escolher sempre o mesmo copo, querer uma determinada peça de roupa ou seguir uma ordem específica antes de dormir não indica necessariamente um problema. A atenção deve aumentar quando uma mudança simples desencadeia sofrimento desproporcional, crises frequentes ou grande dificuldade para continuar a atividade.
A avaliação profissional se torna especialmente importante quando o comportamento persiste e interfere na vida da criança. Arrancar os próprios cabelos, ferir a pele, não conseguir ir à escola sem determinado objeto ou apresentar prejuízos associados a hábitos mantidos por muito tempo são situações que justificam uma conversa com pediatra, neuropediatra ou psiquiatra infantil. A análise também é importante quando os comportamentos repetitivos aparecem junto de alterações no desenvolvimento, já que manifestações associadas ao transtorno do espectro autista ou a outras condições podem ser confundidas com simples manias.