04 de agosto de 2026
VIOLÊNCIA

Vale da Fé e Litoral Norte concentram 54% dos homicídios do Vale

Por Xandu Alves | Vale do Paraíba
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Freepik
Imagem ilustrativa

As sub-regiões do Vale da Fé e do Litoral Norte lideram a violência no Vale do Paraíba em 2026, com a maior quantidade de vítimas de homicídio do que municípios maiores, como São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, que abrigam metade da população regional.

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De janeiro a junho de 2026, de acordo com dados oficiais da SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), as duas sub-regiões somaram 78 vítimas de homicídio, o que corresponde a 54% do total de mortes da região, que teve 145 óbitos nos seis primeiros meses do ano – maior número entre as regiões do interior do estado.

As sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté registraram 56 mortes em homicídios no mesmo período, 39% do total do Vale.

No entanto, enquanto as sub-regiões do Vale da Fé e do Litoral Norte concentram 28% da população da região, com 707,2 mil pessoas, as sub-regiões de São José e Taubaté têm 71% dos habitantes do Vale, com 1,77 milhão de moradores.

Atualmente, a sub-região de Guaratinguetá (nove cidades) lidera com 40 vítimas de homicídio no primeiro semestre (27,59% do Vale), enquanto a sub-região do Litoral Norte (quatro cidades) aparece em segundo, com 38 mortes e 26% da totalidade – apenas Caraguatatuba registrou 23 mortes em seis meses.

A sub-região de São José dos Campos (oito cidades) registra 28 homicídios e 19% do total do Vale, enquanto a sub-região de Taubaté (10 cidades) tem as mesmas 28 mortes e 19% do total da região. Para fechar, a sub-região do Vale Histórico (oito cidades) tem 11 homicídios e 7,59% do Vale.

Leia mais: Vale tem 7 das 10 cidades com maior taxa de homicídios em SP

Cidades

Entre as 10 cidades do Vale com mais homicídios no primeiro semestre, seis estão nas sub-regiões do Vale da Fé e Litoral Norte.

O ranking da violência nos municípios da região tem as cidades: Caraguatatuba (23 mortes), São José dos Campos (17), Lorena (12), Pindamonhangaba (12), Taubaté (12), Cruzeiro (9), Guaratinguetá (8), Ubatuba (8), Cachoeira Paulista (6) e São Sebastião (6).

Elas concentram 78% do total de mortes registradas na região no primeiro semestres, com 113 vítimas entre 145 assassinatos.

No grupo das 10 mais violentas, as cidades do Vale da Fé e Litoral Norte representam 43% das mortes, com 63 pessoas mortas em crimes violentos. Já as cidades das sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté têm 50 mortes e 34% da totalidade da região.

Crime violento

Os números mostram que o crime contra a vida ‘migrou’ das cidades maiores para as de médio e pequeno porte na região, com esses municípios aumentando cada vez mais a participação no total de assassinatos registrados no Vale, região com mais mortes no interior do estado.

O principal motivo é a disputa por território entre as duas mais perigosas organizações criminosas do Brasil – PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).

O Litoral Norte e as cidades do Vale da Fé, que ficam próximas à divisa com o estado do Rio de Janeiro, vêm registrando aumento no número de assassinatos em meio à disputa entre as facções.

Em resposta anterior a OVALE, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o Vale é impactado pela disputa territorial entre facções criminosas do país.

“Isso é um reflexo da proximidade com o Rio de Janeiro. Isso é o crime organizado tentando, com as facções criminosas do Rio de Janeiro, ingressar no território de São Paulo e a contenção da facção hegemônica de São Paulo. É o Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigo dos Amigos contra o PCC. Eles tentam entrar no território paulista e são contidos, mas aí tem disputa pelos pontos de drogas”, afirmou Tarcísio.

“É por isso que os índices de homicídios no Vale do Paraíba são muito maiores do que no restante do estado todo. Há uma hegemonia de uma facção no estado todo [PCC] e há uma disputa no Vale do Paraíba. Por isso que eu falo, o tráfico de drogas é uma coisa muito séria, muito grave, e precisa ser combatido”, completou o governador.