Área de confronto entre as duas mais perigosas organizações criminosas do Brasil – PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) –, o Litoral Norte registrou aumento de 31% na quantidade de vítimas de homicídios dolosos em 2026.
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Os quatro municípios fecharam o primeiro semestre deste ano com 38 pessoas assassinadas contra 29 no mesmo período do ano passado, segundo dados da (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo).
Os homicídios explodiram em Caraguatatuba, que encerrou os seis primeiros meses com 23 pessoas mortas de forma violenta contra 12 no mesmo período de 2025, um crescimento de 91,67%.
Em São Sebastião, no mesmo intervalo de comparação, os assassinatos passaram de cinco para seis (20%) e caíram de 12 para 8 em Ubatuba (-33%). Ilhabela passou de nenhuma morte para um homicídio neste ano.
Participação
O aumento dos crimes fez com que o Litoral Norte saltasse de 20,57% de participação no total de mortes da RMVale em 2025 (141 vítimas) para 26,21% neste ano (145 mortes na região).
Os 38 mortos de forma violenta no Litoral Norte superam os 28 homicídios dolosos das sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté no primeiro semestre. Ambas registraram 28 mortes de janeiro a junho.
A liderança é da sub-região de Guaratinguetá, que terminou o semestre com 40 mortos em homicídios dolosos, 27,59% do total do Vale em 2026.
Caraguatatuba
Para se ter ideia do aumento da violência, Caraguatatuba registra no primeiro semestre de 2026 o mesmo número de mortos em homicídios do que São José dos Campos em todo o ano de 2024: 23 vítimas.
Não à toa, Caraguatatuba foi a cidade com o maior número absoluto de homicídios na RMVale. São José dos Campos aparece em segundo, com 17 casos. Na sequência estão Taubaté, Lorena e Pindamonhangaba, todas com 12 homicídios registrados no primeiro semestre.
Entre os municípios com maiores índices também estão Cruzeiro, com nove homicídios, Guaratinguetá e Ubatuba, com oito cada, além de Cachoeira Paulista e São Sebastião, ambas com seis ocorrências.
Guerra entre facções
Desafio da gestão Tarcísio de Freitas na segurança, como revelou OVALE, a região é palco de confrontos entre criminosos do PCC e de facções cariocas, como o CV.
“O monitoramento policial identificou uma sucessão de crimes violentos iniciada em 2022, incluindo execuções com o uso de fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores”, informou o Ministério Público.
Segundo investigadores, o conflito gira em torno do controle de pontos estratégicos do tráfico de drogas, especialmente em cidades do Vale Histórico e do Litoral Norte, corredores considerados fundamentais para o escoamento de entorpecentes vindos do Rio de Janeiro.