16 de julho de 2026
CASO DA COZINHEIRA

Filho de Berenice contesta versão da patroa: 'Não faz sentido'

Por Da redação | Ubatuba
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria

O desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, ganhou novos desdobramentos após o filho da vítima contestar a versão apresentada pela ex-patroa à polícia.

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José Carlos de Faria Filho afirma que o depoimento da empresária apresenta contradições e reforça que a prioridade da família é encontrar o corpo da mãe para garantir um sepultamento digno.

Berenice desapareceu no dia 30 de junho, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, depois de aceitar uma carona oferecida pela proprietária da pousada onde trabalhava. O caso, inicialmente registrado como desaparecimento, passou a ser investigado como homicídio.

Em entrevista ao portal Metrópoles, José Carlos afirmou que não acredita na versão apresentada pela empresária sobre o trajeto percorrido no dia do desaparecimento.

Segundo ele, a cozinheira seguiria para o centro de Ubatuba antes de retornar para Igaratá, cidade onde morava, mas, por razões ainda não esclarecidas, a patroa afirmou que a deixou no meio do caminho.

"O que a gente não entende é por que ela pararia no meio do trajeto. Minha mãe estava com as malas e, se a carona seria até o centro, não faz sentido interromper o percurso", declarou.

Imagens de câmeras

Outra dúvida levantada pelo filho envolve imagens analisadas durante a investigação. De acordo com ele, os registros mostram o veículo seguindo em direção ao estado do Rio de Janeiro, enquanto o destino informado pela empresária seria o centro de Ubatuba, no sentido oposto.

Para José Carlos, o trajeto não é compatível com os planos da mãe. "Minha mãe nunca comentou que iria para o Rio de Janeiro ou para a Praia das Toninhas. A intenção dela era voltar para Igaratá", afirmou.

O filho também fez um apelo emocionado ao falar sobre o sofrimento da família desde o desaparecimento.

"A gente só quer esclarecer o que aconteceu e encontrar a minha mãe para poder dar um velório digno", disse.

Investigação aponta suspeita de homicídio

As investigações conduzidas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião indicam que Berenice pode ter sido vítima de homicídio, embora o corpo ainda não tenha sido localizado.

A principal suspeita é a empresária Eliane Alves dos Santos, proprietária da pousada onde a cozinheira trabalhava. Ela teve a prisão temporária decretada pela Justiça e permanece à disposição das autoridades.

Segundo a investigação, Berenice foi demitida um dia antes de desaparecer e aguardava o pagamento das verbas rescisórias para retornar à cidade de Igaratá. Uma das linhas investigativas considera que o possível crime esteja relacionado justamente ao pagamento da rescisão trabalhista.

Berenice deixou de responder mensagens

José Carlos contou ainda que a mãe deixou de responder às mensagens da família na tarde do desaparecimento. Ao procurar informações na pousada, os familiares souberam que havia ocorrido uma discussão entre Berenice e a ex-patroa.

Segundo o relato feito à polícia, a empresária afirmou ter pago R$ 2,6 mil em dinheiro à cozinheira e, em seguida, oferecido uma carona até o trevo de acesso à rodovia. Ela também teria informado que Berenice teria conseguido outro emprego na região da Praia das Toninhas.

A versão, no entanto, é contestada pelo filho da cozinheira.

"Minha mãe jamais conseguiria outro emprego e deixaria de avisar os três filhos", afirmou.

Buscas continuam na divisa entre SP e Rio

Enquanto a investigação avança, a Polícia Civil intensificou as buscas para localizar o corpo da cozinheira.

As equipes realizam diligências em uma área de mata na divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro após uma denúncia anônima indicar que os restos mortais da vítima poderiam estar na região.

Até o momento, o corpo de Berenice não foi encontrado.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Eliane Alves dos Santos. O espaço permanece aberto para manifestação.