21 de maio de 2026
TAUBATÉ#400

A história da Condessa de Vimieiro, 'dona' de Taubaté e região

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Thomas de Keyser (1596-1667): Mulher desconhecida (1634)
Imagem ilustrativa

Muito antes de Taubaté existir oficialmente como cidade, uma mulher portuguesa já era considerada a dona das terras que dariam origem a um dos municípios mais importantes do Vale do Paraíba.

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O nome dela era Mariana de Sousa Guerra, a Condessa de Vimieiro, personagem histórica que teve influência direta na fundação de Taubaté e na ocupação do interior paulista no século 17.

Neta de Martim Afonso de Souza, primeiro donatário da Capitania de São Vicente e uma das figuras mais importantes da colonização portuguesa no Brasil, Mariana herdou o controle de vastos territórios na colônia portuguesa. Entre 1621 e 1624, tornou-se a quarta donatária da Capitania de São Vicente e ficou marcada como a primeira mulher a governar territórios coloniais no Brasil.

Essa reportagem integra o projeto especial Taubaté#400, desenvolvido por OVALE, com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté. Veja a apresentação do projeto nesse link.

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Condessa cria a Capitania de Itanhaém

Em 1624, após perder parte de suas possessões em uma disputa política e familiar com Álvaro Pires de Castro e Souza, o Conde de Monsanto, Mariana reagiu criando a Capitania de Itanhaém, cuja sede passou a ser a vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, no litoral paulista.

A nova capitania abrangia uma gigantesca faixa territorial, que ia do Rio Juqueriquerê, em São Sebastião, até Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, além de avançar rumo ao interior por regiões que hoje pertencem a Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Foi nesse contexto que Taubaté entrou na história da Condessa de Vimieiro.

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Bandeirante Jacques Felix

A região já era conhecida pelo nome Taubaté antes mesmo da chegada dos colonizadores portugueses. Em 1636, Mariana de Sousa Guerra determinou que suas terras no interior fossem ocupadas e protegidas oficialmente. Para isso, o capitão-mor Francisco da Rocha recebeu a missão de assegurar as posses da condessa na região.

A tarefa acabou sendo transferida ao bandeirante Jacques Felix, considerado hoje o fundador de Taubaté.

Nascido nos Países Baixos em 1576, Jacques Felix já conhecia o Vale do Paraíba antes da fundação da vila. Ele possuía uma fazenda na área entre Tremembé e Pindamonhangaba e foi um dos primeiros colonizadores europeus a se estabelecer na região.

Entre 1639 e 1640, agindo em nome da Condessa de Vimieiro, Jacques Felix iniciou a formação do povoado que mais tarde se transformaria na vila de São Francisco das Chagas de Taubaté.

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Expansão pelo interior

A missão, porém, estava longe de ser simples. O bandeirante precisou passar cerca de três anos reunindo famílias e colonizadores dispostos a enfrentar os perigos do interior paulista. O objetivo era criar um núcleo seguro, produtivo e capaz de ampliar a presença portuguesa no Vale do Paraíba.

Além de fundador da cidade, Jacques Felix também se tornou o primeiro chefe do poder local, acumulando funções civis, militares e criminais. É apontado ainda como o primeiro arquiteto de Taubaté.

O processo de expansão liderado por Mariana de Sousa Guerra tinha um objetivo claro: ampliar os domínios da Capitania de Itanhaém e alcançar regiões onde existiam rumores sobre minas de ouro no interior do Brasil.

Em nome da condessa, bandeirantes avançaram por áreas que hoje correspondem a cidades do Vale do Paraíba, como São José dos Campos, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, além de regiões mineiras que mais tarde seriam fundamentais para o ciclo do ouro.

Condessa jamais esteve no Brasil

Curiosamente, apesar de controlar imensos territórios na colônia portuguesa, Mariana de Sousa Guerra jamais esteve no Brasil. Toda a administração era feita por representantes e capitães-mores enviados pela Coroa Portuguesa.

Décadas depois da fundação de Taubaté, o sonho da Condessa de Vimieiro acabou se concretizando. O ouro foi encontrado em Minas Gerais por exploradores ligados ao Vale do Paraíba, e os taubateanos tiveram papel importante na expansão rumo ao interior do país.

Por coincidência histórica, a cidade mineira que se tornaria símbolo do ciclo do ouro recebeu justamente o nome de Mariana — uma homenagem que eternizou a influência da mulher que ficou conhecida como a verdadeira dona de Taubaté.

* Com informações do Almanaque Urupês

Fotocópia da provisão de 1639 dada a Jacques Felix para ocupação do Vale do Paraíba / Almanaque Urupês