Os óculos de realidade aumentada utilizados pela GCM (Guarda Civil Municipal) e outras forças de segurança dão o tom futurista à cidade de São José dos Campos, capital aeroespacial do país.
Sede da Embraer, uma das empresas mais inovadoras da aviação mundial, São José combate a maior pandemia de sua história ao mesmo tempo em que funda as estruturas para o futuro, com sua educação 5.0 e investimentos em mobilidade, saúde e segurança.
Anderson Farias (PSD), prefeito de São José, disse que a cidade vive seu melhor momento, mesmo ainda enfrentando o coronavírus. Não à toa, o maior município do Vale do Paraíba tornou-se a primeira cidade inteligente certificada do país e uma das pouco do mundo. “São José nos enche de orgulho por ser uma cidade organizada, limpa e segura. Eu diria que antes do certificado de cidade inteligente, nosso legado e missão principal é cuidar das pessoas”, afirmou.
Para o futuro, Anderson imagina uma São José “cada vez mais organizada, mais conectada, mais inclusiva e mais internacionalizada”. “Acredito que setores como a logística tendem a ter cada vez mais relevância, dadas às condições atuais de desenvolvimento do porto, aeroporto, rodovias e ferrovias que temos aqui e na região”, completou.
OVALE saiu a campo para ouvir lideranças de vários segmentos da sociedade sobre o futuro de São José. Há mais esperança e otimismo do que desconfiança. “São José é uma cidade capaz de incorporar os avanços tecnológicos, com crescimento sustentável, equilibrado e, principalmente, com respeito ao meio ambiente”, disse o advogado Tarcísio Soares, um dos idealizadores do movimento Next7, criado para conectar pessoas, empresa e academia.
“A capacidade industrial, tecnológica e das pessoas permite que São José amplie ainda mais a aplicação de novas tecnologias, especialmente com os recursos proporcionados pela tecnologia 5G em áreas essenciais como educação, saúde e mobilidade, de forma a viabilizar o uso de veículos autônomos.”
Soares defendeu que o crescimento da cidade seja baseado em sua vocação tecnológica e espacial, integrada em todas as demais áreas de desenvolvimento do país, como desenvolvimento de produtos e serviços, dentre os quais o agronegócio, infraestrutura, mobilidade (indústria automotiva), aproveitando de sua localização privilegiada em termos de distribuição de produtos.
“Por este motivo, não acredito ser adequado limitar o crescimento, mas sim ter a capacidade de desenvolver o planejamento da cidade de forma ordenada com meios eficazes de impedir o surgimento de núcleos ilegais. A vocação da cidade é estar na vanguarda. Criar o futuro”, afirmou o coordenador do Next7.
Presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, a empresária Eliane Maia considera a cidade “uma das melhores do país para se viver e referência na área de tecnologia, tendências que vão se consolidar cada vez mais nos próximos anos”.
Ela vai mais longe: “Com saúde, educação e transporte público de qualidade, novas tecnologias, como o 5G, geração de empregos e atração de novos negócios, nossa cidade deve ter um novo salto de desenvolvimento ao longo da década, se destacando ainda entre as grandes cidades do país. São José tem o DNA do progresso e isso vai ficar cada vez mais patente nos próximos anos, aliando desenvolvimento e qualidade de vida”.
Eliane acredita que a cidade pode crescer em setores já consolidados, como a indústria aeroespacial e a automotiva. Mas está na tecnologia, aplicada inclusive nessas duas cadeias, a chave do novo salto de crescimento da cidade.
E o setor industrial, tão combalido por crise econômica e pandemia, também será beneficiado. “A indústria está passando por um processo de renovação em todo mundo e não será diferente em São José. A cidade já tem um parque industrial consolidado, ativo em diversas áreas, e, com o advento do 5G, esse parque vai se transformar, ganhando mais eficiência e maior competitividade, simplificando processos e otimizando custos”, disse a presidenta da ACI.
“Nossas empresas já estão de olho no futuro, como Embraer, Ericsson e General Motors, para citarmos apenas três. E elas têm um leque de empresas ligado às suas cadeias produtivas. Isso sem falar na indústria do conhecimento, com geração de cérebros, e nas startups. Temos também a indústria da construção civil, que voltou a crescer em ritmo bem acelerado.”
Na opinião de Alexandra Gioso, diretora regional do Ciesp São José dos Campos, a cidade tem “um DNA industrial, tem cadeias bem estruturadas, que congregam alta tecnologia”.
“Por essas características, e olhando o cenário econômico do Brasil, se continuarmos nesse caminho – implementando estratégias, alinhadas às tendências mundiais de atração de oportunidades e inserção nas cadeias globais de valor –, é uma cadeia que pode ser competitiva lá fora.”
Contudo, ela frisou, há desafios conjunturais e estruturais. “Torna-se cada vez mais evidente a necessidade de repensar o papel da indústria e da manufatura que temos aqui, incrementar a competitividade dessas indústrias, com novos conhecimentos de tecnologia, digitalização, educação, sustentabilidade.”
Presidente da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), José Renato Dias Fedato vê perspectivas favoráveis de São José crescer nos setores de comércio e serviços. “Nós já ocupamos uma posição estratégica em termos de comércio, atendendo vários outras cidades do Vale. É importante ressaltar que São José tem a maior quantidade de PhDs per capita do país, o que significa serviço de alta qualidade. Sem dúvida, é um investimento que vale muito a pena. Já a construção civil é uma indústria que gera uma quantidade de emprego muito alta e, quando conseguimos que o segmento permaneça forte, sabemos que a economia, como um todo, gira muito bem. É um ponto estratégico que o poder público deve olhar sempre com muita atenção.”