Violência

Brasil tem 2,7% dos habitantes do planeta e 20% dos homicídios, aponta Anuário de Segurança Pública

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Homicídio
Homicídio

Apesar da queda de 6,5% no número de mortes violentas no país -- 47.503 vítimas assassinadas em 2021 --, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil foi palco de 20,4% dos homicídios ocorridos no planeta no ano passado.

Com isso, a taxa nacional é de 22,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O levantamento reúne homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

Entre no nosso grupo do WhatsApp e fique sempre ligado nas notícias mais importantes da RMVale, do Brasil e do mundo - Clique aqui e esteja sempre bem informado!

As maiores taxas foram registradas no Amapá (53,8%), Bahia (44,9%), Amazonas (39,1%), Ceará (37%) e Roraima (35,5%).

Segundo o Unodc, sistema de dados do Escritório das Nações Unidas para Crimes e Drogas, o Brasil responde por 20,4% dos homicídios no mundo mesmo tendo apenas 2,7% dos habitantes do planeta. Em 2020, morreram 232,6 mil pessoas em 102 países, sendo que apenas no Brasil foram quase 48 mil óbitos.

O anuário revela que, em números absolutos, o Brasil lidera o ranking mundial de homicídios e é o oitavo país mais violento do mundo. Em volume de registros, apenas Índia (40,6 mil) e México (36,5 mil) possuem números tão grandes quanto os do Brasil.

Para Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum de Segurança Pública, o Brasil reproduz um problema verificado nos países da América Latina.

“Se a gente for somar a América Latina Central, a região tem cerca de um terço de todas as mortes do planeta. Nós temos um ciclo inconcluso de reformas das polícias. O sistema de governança das polícias é extremamente frágil, não é exclusivamente no Brasil. Aqui o complicador é o país ser federado, e a União não tem ingerência no limite sobre o que fazem os governos do estado no dia a dia”, afirmou Lima ao portal R7.

Leia mais: Letalidade policial caiu 30% em São Paulo, diz Fórum Brasileiro de Segurança Pública

No Brasil, 77,9% das vítimas de assassinato são negras, 50% têm entre 12 e 29 anos e 91,3% são homens. Segundo o estudo, 76% das mortes foram provocadas por armas de fogo.

A região Norte teve alta de 7,9% na violência letal, enquanto em todas as outras regiões do país houve queda na variação da taxa de mortes. A mais expressiva redução se deu no Centro-Oeste, onde houve baixa de 13,5%.

Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum de Segurança Pública, são diferentes realidades em cada estado do país.

“Os estados do Sudeste têm mais recursos financeiros, tropas dentro das polícias mais estruturadas e investiram muito em programas de prevenção, em fortalecimento da investigação. O que estão passando a região Norte e vários estados do Nordeste hoje é um pouco do que viveu o Sudeste nos anos 1990. Forças policiais estão tentando correr atrás do prejuízo para tentar dar conta desses desafios”, disse a executiva.

O pico da violência no Brasil se deu em 2017, com 65 mil mortes. Naquele ano houve uma intensa disputa territorial entre facções. Desde que o anuário é elaborado, os números de mortes violentas tendem a ficar em torno de 50 mil óbitos por ano.

“Varia pouco de um ano para o outro, mas a gente não consegue romper com esse padrão de violência muito elevada, que também se dissemina na violência sexual, roubos e sequestros. Isso é uma marca da América Latina e faz parte da cultura, com padrões de comportamento violentos”, afirmou Samira.

Comentários

Comentários