Uma missão francesa composta pelo diretor-geral de alimentação e encarregado nacional de laticínios, do Ministério de Agricultura e Soberania Alimentar da França, Frederic Bertassi; do professor da Escola Nacional da Indústria Leiteira, Maxence Virelaude; e do presidente da União de Produtores de Beaufort, Ivon Bochet, visitou o Vale do Paraíba e a região bragantina no início desta semana. Eles conheceram detalhes da produção de leite e derivados, bovinos e caprinos e do manejo realizado em propriedades rurais, localizadas em Taubaté e Pindamonhangaba, além de Monte Alegre do Sul, Serra Negra e Amparo.
“Esta primeira missão técnica está focada na área de leite e derivados, com especial atenção à produção de queijos em São Paulo, fomentando um mercado que cresce após a nova lei do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Estado de São Paulo (SISP) - Artesanal e a premiação de queijos artesanais paulistas no Brasil e exterior”, explicou o assessor da Secretaria, Henrique Guimarães, que acompanhou a delegação em toda a agenda.
Segundo ele, o acordo não só vai fomentar o desenvolvimento tecnológico e econômico das cadeias produtivas do leite e do queijo, mas também setores como mel e café. “As visitas proporcionaram um momento especial de troca de experiências e identificação dos pontos mais relevantes a serem trabalhados na cooperação técnica”, afirmou.
Em nome da delegação francesa, Franck David Foures, conselheiro agrícola da Embaixada da França no Brasil, falou sobre a importância dessa cooperação. “Este acordo é muito importante, pois a França tem grande interesse em cooperar tecnicamente em questões relacionadas à produção sustentável e conservação do meio ambiente”, disse.
Para ele, São Paulo é um Estado de grande relevância nesse sentido, que abriu diversas possibilidades e oportunidades de trabalho conjunto, iniciado com as áreas de produção de leite e queijo. “O Brasil tem se destacado e atraído atenção em concursos mundiais, e temos grande afinidade e experiência nessas áreas, com uma tradição milenar na produção queijeira, ocupando o posto de maior produtor europeu de leite”, ressaltou.
Entre os eixos a serem trabalhados de forma conjunta, estão a capacitação de produtores, os sistemas integrados de produção sustentável (diferentes da realidade francesa, em que a maioria das pequenas propriedades têm apenas uma atividade), bem como a transferência de tecnologia e informações sobre legislação e Indicação Geográfica, para criação de identidade de produtos.
Foures também falou sobre as visitas em campo. “Ficamos encantados com a paisagem das regiões, as propriedades e os empreendimentos visitados. A visão que muitos têm do Brasil é de grandes propriedades em grandes áreas, então foi uma grata surpresa conhecer propriedades familiares e cooperativas de pequenos produtores, com uma produção de qualidade, trabalhando de forma sustentável”.
Para ele, a possibilidade de conversar com os produtores possibilitou a identificação de gargalos e desafios que poderão balizar a formação de um diagnóstico, que servirá como base para os próximos passos das ações realizadas por meio do acordo.
Programação – No Vale do Paraíba, onde o grupo foi recebido por extensionistas da CATI Regional Pindamonhangaba e das Casas da Agricultura de Taubaté e Pindamonhangaba, a visita ocorreu na segunda e terça-feira, tendo a agenda se iniciado pela Cooperativa de Laticínios do Médio Vale do Paraíba (Comevap), em Taubaté, onde o grupo foi recepcionado pelo diretor-presidente, Aristeu de Barros Trannin, recebendo informações sobre o Vale do Paraíba, a produção rural, o pagamento por qualidade do leite e as particularidades das propriedades e dos produtores.
Ainda na segunda-feira, em Pindamonhangaba, eles estiveram no Capril Real Capri, uma das principais referências de queijos de cabra do Brasil. A delegação foi recebida pelo produtor e proprietário Vicente Ribeiro, que mostrou toda a estrutura da propriedade, da seleção genética dos animais à tecnologia e os processos que funcionam de acordo com as normas legais, servindo de modelo para outras usinas do país. No local, o grupo conheceu o sistema automatizado que atua desde a recepção do leite até sua pasteurização, eliminando todo tipo de contato manual com o produto, e degustou diversos tipos de queijos produzidos.
Em outra propriedade, associada da Comevap desde 2016, o grupo foi recebido por Vinícius Salgado de Barros, filho do proprietário, e pode conhecer as instalações e o rebanho, que é formado por 102 vacas da raça girolando, obtendo detalhes sobre o manejo, alimentação e a produção de cerca de 2.100 litros diários de leite.
Na Bolderini Queijaria, instalada no sítio que pertence à mesma família há quase 100 anos, o grupo conversou com Felipe Bolderini Couto e com sua esposa Talita Silva, que há pouco tempo começaram sua produção dos queijos que levam a marca Bolderini, seguindo a tradição familiar.
Com investimentos em cursos de especialização, reforma das instalações e muita dedicação, apesar de pouco tempo de atividade, os produtores já alcançaram o reconhecimento internacional, tendo sido premiados em 2019, no concurso Mundial do Queijo, com os queijos “Malacaxeta”, “Borbinha”, “Pinda” e “Canário”, conquistando medalhas de ouro, prata e dois bronzes, respectivamente.
Antes de seguir para a região bragantina, na última visita no Vale do Paraíba, a missão esteve na Queijaria do Jordão, localizada na serra da Mantiqueira, onde a família de origem portuguesa produz queijos com leite de vacas jersey da fazenda própria.