Pobreza

‘Pandemia aprofunda a desigualdade social no Brasil', afirma epidemiologista Maria Yury Ichihara

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Miséria. O índice de pobreza no Brasil aumentou durante 2017
Miséria. O índice de pobreza no Brasil aumentou durante 2017

Durante a pandemia de Covid-19, ficaram evidenciados que determinados grupos populacionais vivenciaram o período com mais dificuldades do que outros. O desemprego, a fome e as dificuldades de acesso a máscaras, álcool gel e até água atingiram fortemente comunidades vulnerabilizadas.

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“As desigualdades entre as regiões se aprofundaram”, disse a epidemiologista Maria Yury Ichihara, coordenadora do projeto que desenvolveu o IDS-Covid-19 (Índice de Desigualdades Sociais para a Covid-19). Confira.

O que mede o Índice de Desigualdades Sociais para a Covid-19?

Mede os efeitos das desigualdades sociais em saúde na pandemia no Brasil. O trabalhop foi capaz de revelar que o abismo entre as regiões Norte-Nordeste e Sul-Sudeste se aprofundou neste período da pandemia.

O que revela o IDS?

As desigualdades entre as regiões se aprofundaram, considerando que há uma melhoria dessas desigualdades em alguns municípios, embora não seja grande, enquanto outros permaneceram em situação crítica.

Os dados oferecidos pelo índice alertam que a situação de desigualdade social em saúde no Brasil preexistia à Covid-19. Antes da pandemia, 98% dos municípios da Região Norte estavam nos agrupamentos 4 e 5, os dois piores grupos classificados pelo IDS-Covid-19. Na Região Sudeste, eram 35% dos municípios e, no Sul, apenas 7%.

Como foi calculado o índice?

Ele foi calculado com base em dados socioeconômicos, sociodemográficos e de acesso aos serviços de saúde. Os pesquisadores exploraram bases de dados do Censo Demográfico do IBGE de 2010, bem como do CNES (Cadastro Nacional dos Equipamentos de Saúde) para capturar números de leitos de UTI e respiradores, e do IBP (Índice Brasileiro de Privação), que leva em consideração a renda, educação e condições de domicílio.

Foram definidas também variáveis que mais se relacionavam com as desigualdades sociais em saúde na Covid-19 como o percentual de população residente em domicílios com densidade domiciliar maior que 2, percentual de idosos em situação de pobreza, além do percentual de pretos, pardos e indígenas.

Populações pobres sofreram mais?

Sem dúvida. Por exemplo, a pandemia atingiu as pessoas negras de forma distinta por conta das desigualdades raciais. Era preciso que a gente desse evidência a isso. E o índice tem como função dar uma forma de mensuração das desigualdades.

A região Norte foi mais atingida?

O índice mostra que, após a primeira onda da pandemia de Covid-19, somente 3% dos municípios da Região Norte conseguiram reduzir as condições de desigualdades em saúde. Em uma comparação com municípios da Região Sul, por exemplo, 8% deles apresentaram redução das desigualdades.

Os dados também mostram que nos, quatro momentos medidos, mais de 90% dos municípios da Região Norte ficaram na pior classificação quanto ao nível de desigualdades sociais em saúde.

E no Nordeste?

Na Região Nordeste, em fevereiro de 2020, quase todos os municípios (99%) estavam nos dois piores grupos com relação à situação de desigualdades sociais em saúde. No entanto, ao longo da pandemia, a região apresentou uma redução nessa condição com 95% em julho de 2020, 93% em março de 2021 e 92% em janeiro de 2022.

E no Sul-Sudeste?

O Sudeste concentra níveis intermediários e o Sul tem melhora na situação desigualdades sociais em saúde.

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