Violência

A cada dois dias, uma mulher é assassinada em São Paulo, apontam os dados da SSP

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Violência contra a mulher
Violência contra a mulher

A morte violenta de mulheres tornou-se um dos maiores desafios para a segurança pública no estado de São Paulo, que merecerá do próximo governador uma atenção especial.

De acordo com os dados oficiais da série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que começa em setembro de 2011 e vai até junho de 2022, uma mulher é morta no estado de São Paulo a cada dois dias, em média.

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Nesse período de 10 anos e 10 meses, a pasta registra 2.469 mulheres assassinadas, o que dá uma média de 19 vítimas por mês, 0,63 por dia. Ou seja, uma mulher morre de forma violenta a cada dois dias no estado.

O número inclui os homicídios dolosos (com intenção de matar) e os feminicídios (assassinato por ser mulher), categoria separada da estatística geral dos homicídios a partir de janeiro de 2018.

Considerando apenas os homicídios dolosos, os dados apontam 1.759 casos em 130 meses, média de 14 mulheres mortas por mês.

Os feminicídios separados somam 710 casos de janeiro de 2018 a junho de 2022, com média de cinco mulheres mortas por mês apenas por serem mulheres.

A SSP também registra 3.392 tentativas de homicídio em mulheres desde setembro de 2011, o que dá 26 casos por mês – 0,87 por dia.

“As mulheres estão sendo cada vez mais violentadas, por isso existe uma reincidência muito alta nas medidas protetivas. Elas estão muito crescentes", disse Marcela Andrade, diretora do Centro Dandara, de São José dos Campos, que atende mulheres vítimas de violência.

Para piorar a situação, a crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19 pode ter aumentado o número de mulheres que enfrentam violência dentro de casa, na avaliação de Marcela, em razão do crescimento da insegurança alimentar, de moradia e as dificuldades financeiras.

“Muitas mulheres estão em cárcere, um cárcere invisível em que elas querem se libertar, mas neste momento não têm condições. Essas mulheres estão invisibilizadas, estão enclausuradas em um momento em que não podem denunciar por inúmeros motivos, com a dependência psicológica muito mais agravada.”

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VIOLÊNCIA

De fato, o total de mulheres vítimas de homicídio doloso cresceu 9,5% no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. Os casos subiram de 115 para 126 no estado.

O feminicídio registrou uma queda de 12,7%, com 75 registros contra 86. Outro crime em queda foi a lesão corporal dolosa, que recuou 2,8%.

Já outros nove crimes de uma lista de 16 tiveram aumento no período de janeiro a junho deste ano comparado a igual intervalo no ano passado.

Os maus-tratos subiram 48,9%, o constrangimento ilegal deu um salto de 582%, os danos aumentaram 15,9%, o estupro cresceu 3%, a invasão de domicílio subiu 14% e o estupro de vulnerável aumentou 2,5%.

RMVALE

O total de casos de estupro subiu 4,8% no Vale do Paraíba em 2022 na comparação com 2021, levando em conta o primeiro semestre. Foram registrados 322 casos neste ano contra 307 no ano passado.

Na mesma comparação, o estupro de vulnerável caiu 2%, com 241 casos contra 246 entre janeiro e junho do ano passado.

A queda vem depois de aumento de 3,5% no ano passado na comparação com 2020, com os casos passando de 503 para 521. O estupro subiu 2,5%, com 677 ante 660.

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